O lado bom (e ruim) de trabalhar no interior

Muitos profissionais estão se mudando pra cidades pequenas. Veja se é uma boa

São Paulo – Sair dos grandes centros urbanos em busca de equilíbrio entre carreira e família não é mais uma decisão que as pessoas tomam apenas na aposentadoria. Atualmente as cidades médias e pequenas têm se tornado boas opções também de carreira para muitos profissionais que querem sair da competitividade das grandes metrópoles.

As vantagens das cidades pequenas são muitas – vão desde qualidade de vida até oportunidades de carreira – porém nem todo mundo se adequa a essa realidade. Na edição de outubro da VOCÊ S/A , na matéria Longe da Capital, você conhece histórias de profissionais que tomaram essa decisão e de que forma a escolha afetou a vida de cada um.

Nós conversamos com Rafael Souto, de 39 anos, presidente da consultoria Produtive sobre os pontos positivos e negativos de fazer carreira no interior.

Pode ser uma boa

Qualidade de vida – Um dos itens mais procurados por quem decide sair das grandes capitais é a qualidade de vida, o que de fato é melhor no interior. As atividades fora do período de trabalho, como networking e eventos profissionais diminuem e há mais tempo para passar com a família e amigos.

Além disso, a mobilidade que atormenta os trabalhadores dos grandes centros, também aumenta. Passando menos tempo no trânsito, o profissional ganha algumas horas para se dedicar a atividades que aumentam seu bem-estar.

Diminui a competitividade – Normalmente as empresas afastadas dos grandes centros permitem que o executivo crie uma referência maior com o entorno, com a comunidade onde a companhia está localizada.

Devido ao fato de estar em um mercado menor e menos competitivo, o profissional cria laços mais familiares com os colegas. As empresas possuem um caráter mais afetivo e há a possibilidade de criar vínculos fora do trabalho.

Estratégia de carreira – A mudança para o interior também pode ser uma forma de alavancar o crescimento profissional. Normalmente profissionais que aceitam se mudar para uma cidade menor ganham promoções ou aumentos por parte das empresas. Além disso, ao fazer a concessão de se mudar há a possibilidade de negociar mais e conseguir algumas vantagens com os gestores.

Bom para o bolso – Decidir se mudar para uma cidade menor também pode ser uma oportunidade de melhorar as finanças. O custo de vida em pequenos centros tende a ser menor e muitas empresas oferecem remunerações mais gordas para atrair profissionais. Segundo Rafael, o custo de vida de algumas cidades tende a ser cerca de 30% mais baixo, o que aumenta a capacidade de reserva financeira.

Talvez não seja tão bom assim

Baixa competitividade também é ruim – O ponto mais crítico de uma mudança para o interior é a falta de opção de trocas profissionais. Você perde a visibilidade profissional e as opções de empresas e de carreira diminuem. Além disso, exatamente por criar vínculos com a empresa o profissional encontra mais dificuldade em buscar outras oportunidades.

Nas cidades pequenas muitas vezes ainda predomina a noção de carreira por um grande período de tempo. É comum encontrar pessoas que passaram a vida em uma única empresa, diferente dos grandes centros onde a compreensão é que há ciclos profissionais e a mudança é mais bem aceita. O networking pode ser mal visto pelos colegas e gestores.

Poucas opções de desenvolvimento profissional – Se afastar de grandes centros também pode prejudicar ambições de desenvolvimento profissional. Grande parte de cursos, workshops, palestras e escolas de negócios se encontra nos centros urbanos e a oferta de opções para um funcionário que deseja investir no seu desenvolvimento pode diminuir.

Adaptação Cultural – Um item que pouca gente leva em consideração é a adaptação em uma rotina fora das capitais. Embora a ideia de uma vida mais pacata seja algo que no ideário da grande maioria seja algo com o qual todos se adaptem, algumas pessoas possuem personalidades que não casam com essa realidade.

Se você valoriza diversidade cultural e vida cosmopolita muito provavelmente vai pirar em uma cidade do interior. É preciso olhar além das condições de trabalho, fazer uma autocritica sobre seu comportamento e da sua família. Segundo dados da Produtive, 35% das mudanças mal sucedidas são motivados por questões familiares.

Muita gente põe um peso menor nessas questões, acreditando que a adaptação é algo que em longo prazo poderá ser resolvido. Nem sempre é assim e os profissionais acabam gerando conflitos com seus cônjuges e filhos.

De acordo com Rafael, uma opção para profissionais que desejam uma vida mais pacata, mas que não abrem mão de infraestrutura das grandes metrópoles são as cidades médias, aquelas com mais com mais de 200.000 habitantes. “As médias possuem uma alta oferta de empregos e são cidades do interior com cara de centros urbanos. Nelas você tem uma vida mais próxima do cotidiano urbano e um equilíbrio maior com as questões interioranas”, diz.