Os dribles na Lei Seca do futebol

Em tese, atletas não devem beber para render melhor em campo. Nem sempre é assim. Mas a turma dos bebedores históricos se divide entre os que passaram livres de punições e os que se complicaram com seus clubes

1) SÓCRATES – Apreciador assumido de cerveja por toda a vida, que ele alegava não afetar seu desempenho como jogador, o Doutor nunca foi punido por excessos nos clubes por onde passou. O mais próximo que chegou disso foi em 1983 quando, após um treino do Corinthians, reuniu outros jogadores e alguns jornalistas para conversar e beber algumas garrafas na sala do preparador físico Hélio Maffia. Que, ao chegar, furiosamente expulsou a todos. Ficou nisso e não houve reincidência.

2) JOÃO VÍTOR – O volante do Palmeiras foi o mais recente caso de escorregão com a “Lei Seca” da bola. Em agosto, foi acusado de ter chegado alcoolizado a um treino, sendo afastado da equipe e multado – logo foi reintegrado. Dias após o incidente, João Vítor fez um quase mea-culpa à imprensa: “A verdade é que realmente cheguei com hálito de cachaça, mas não estava embriagado”. A essa altura, a diretoria palmeirense também procurou atenuar o caso, divulgando que o jogador apenas teve uma noite maldormida.

3) VALDIVIA – Em novembro de 2011, o meia do Palmeiras e outros quatro jogadores da seleção do Chile, que faria dois jogos pelas Eliminatórias da Copa de 2014, foram cortados pelo técnico Claudio Borghi. O quinteto reapresentou-se atrasado depois de um dia de folga em estado de alta embriaguez, tanto que mal tinham condições de esboçar palavras para se defender.

4) LEANDRO E RENATO GAÚCHO –Nos treinamentos para a Copa de 1986, os dois craques e amigos retornaram de madrugada, trançando as pernas, à concentração da Seleção na Toca da Raposa, em Belo Horizonte, depois de um dia de folga. O técnico Telê Santana explodiu e quis cortá-los imediatamente, mas outros jogadores o convenceram a perdoar. A paz foi temporária. Semanas depois, Telê realmente cortou Renato. Leandro foi mantido, mas, em solidariedade ao amigo, renunciou à Seleção ao não aparecer para o embarque rumo ao México, onde aconteceria a Copa.

5) GARRINCHA – Por algum tempo, Garrincha conseguiu beber sem que isso afetasse seu desempenho de craque fora de série. Depois que fez 30 anos em 1963, isso mudou. O peso que ganhava por causa do álcool diminuiu seus reflexos de driblador e, pior, forçava cada vez mais seus frágeis joelhos. Falta de forma física e contusões seguidas abreviaram sua carreira em alguns anos.

6) BEIJOCA – O folclórico artilheiro e ídolo do Bahia nos anos 1970 é hoje um pastor evangélico. Em sua nova fase, não se envergonha de admitir seu passado pé na jaca. Em entrevista à revista PLACAR (da Editora Abril, que também publica a VIP) em 2010, revelou sua façanha ébria na final do Campeonato Baiano de 1976: chegou torto à concentração às 4h da madrugada, tomou glicose e só foi acordar (de ressaca) dentro do ônibus rumo ao estádio. Pediu para o motorista parar para que ele tomasse uma cerveja “reguladora”. Como era uma final,
entrou em campo mesmo contra a vontade do treinador. Fez o único gol do jogo e passou o resto do tempo se arrastando em campo, mas saiu campeão. A partida ficou conhecida em Salvador como a final do “bebi para decidir”.

7) ADRIANO – O Imperador já admitiu abertamente na TV sua dificuldade em se controlar, depois de problemas na Internazionale e no São Paulo. Seu pior problema foi a demissão do Corinthians, em março de 2012. Num relatório, constava a alegação de que ele teria se apresentado embriagado em algumas sessões de treino, sendo dispensado imediatamente nessas ocasiões. Clube e jogador chegaram a um acordo na Justiça em junho. Adriano acertou seu retorno ao Flamengo, prometendo bom desempenho nessa sua “última chance” de provar recuperação. Dias depois, faltou a um treino. E prometeu não fazer mais isso.

Matéria publicada na VIP de outubro de 2012