Organização da Comic Con Experience quer fazer o mercado mudar

A organização precisou explicar a empresas o que é uma Comic Con e mostrar que 'entretenimento também é um bom negócio', além de uma série de outros desafios

Reunir fãs de quadrinhos, séries, filmes e tudo mais que estiver relacionado à cultura geek e nerd: se  a proposta básica da Comic Con Experience (CCXP), iniciada nesta quinta-feira (4) em São Paulo, não soa exatamente nova, a ideia da equipe por trás do projeto é das mais ambiciosas. Em coletiva finalizada pouco antes da abertura dos portões do evento, Érico Borgo, Marcelo Forlani, Pierre Montovani e outros quatro membros da organização contaram que pretendem mudar todo o mercado brasileiro de entretenimento com a realização do evento.

“É o maior desafio que temos aqui”, contou Mantovani, CEO do site Omelete e da CCXP. “Convencemos expositor por expositor, empresa por empresa a participar, dizendo que nosso evento ia ser algo que eles nunca viram.” E justamente porque, na visão dele e dos outros seis organizadores, o mercado e o próprio público são carentes de convenções como as Comic Cons, que colocam os dois lados mais próximos.

Segundo os responsáveis pela CCXP, foi essa carência que fez com que o projeto – que começou pequeno – crescesse tanto no decorrer do planejamento, até atingir a atual dimensão. “Criamos um Godzilla e o deixamos deitado enquanto o alimentávamos”, comparou Borgo. “E na hora de colocá-lo em pé, tomamos um susto.”

Borgo também explicou que nenhum dos sete têm experiência prévia com eventos, e que exatamente por isso falhas certamente aparecerão. “Sendo muito sincero, como ainda estamos tentando controlar o bicho, muita coisa vai ficar abaixo do que esperávamos”, contou. “Mas ainda assim já tem muitas outras que estão nos surpreendendo”, continuou, referindo-se aos muitos comentários elogiosos postados em redes sociais, por exemplo.

Mais desafios – Fora a ideia de mudar o mercado, explicar a empresas o que é uma Comic Con e mostrar que “entretenimento também é um bom negócio”, a organização ainda precisou lidar com uma série de outros desafios. Renato Fabri, sócio-fundador do Omelete e da CCXP, destacou os custos “MUITO elevados”, enquanto Borgo falou das negociações para trazer os artistas e os convidados.

“Negociar com eles é um inferno”, disse, rindo. “Fechamos com três deles já em janeiro, mas os contratos têm uma cláusula que deixa eles desistirem do nada. Eles só devolvem o dinheiro e cortam relações.” Foi o que aconteceu com Kirk Hammet, por exemplo: por ter que dar prioridade ao Metallica, o guitarrista cancelou a vinda de última hora para tocar em um show. Forlani também incluiu na lista de dificuldades encontrar atores que gostassem do público – “porque não adianta nada trazer um astro de Hollywood que não gosta de interagir”, disse.

Futuro da CCXP – Apesar de estar na primeira edição, a meta dos organizadores já é manter o evento no calendário de São Paulo. Tanto que a Comic Con Experience 2015 já foi confirmada para os dias 3 a 6 de dezembro, e o contrato com o São Paulo Expo ainda dura três anos. “E se dependesse de determinados membros da CCXP, teríamos pelo menos outras três Comic Cons pelo resto do Brasil já no ano que vem”, contou Borgo. “Mas, claro, é preciso acertar a primeira, porque vamos errar muito nesta aqui.”