Oblivion, uma nova abordagem do fim do mundo com Tom Cruise

"Oblivion" é o novo filme de ficção científica do diretor de "Tron: O Legado", Joseph Kosinski

Los Angeles – Desde sua atalaia flutuante, Tom Cruise contempla o abismo de um mundo onde as ruínas são o único vestígio de uma civilização extinta, um olhar nostálgico que tem o tom apocalíptico de “Oblivion”, novo filme de ficção científica do diretor de “Tron: O Legado”, Joseph Kosinski.

O filme combina o drama pessoal e introspectivo do engenheiro Jack Harper (Cruise) antes de cumprir sua última missão e despedir-se para sempre de seu planeta, com a ação própria de uma superprodução de Hollywood que vai ganhando importância no filme à medida que se desenvolve a trama.

O astro americano chega na próxima quarta-feira ao Rio de Janeiro, vindo diretamente da Argentina, para participar de uma première no tradicional Odeon, na Cinelândia, onde irá atender aos fãs que forem vê-lo cruzar o tapete vermelho montado na frente do cinema.

“É uma história universal que acontece no futuro, mas não a qualificaria de ficção científica. Trata-se de um homem que descobre algo dentro de si mesmo, seu processo para se transformar em herói, a persistência do verdadeiro amor”, explicou Kosinski em entrevista coletiva em Los Angeles.

“Oblivion”, que estreia mundialmente no dia 12 de abril, é o segundo longa-metragem deste diretor, vindo do campo da arquitetura, e o mais pessoal até o momento.


O argumento está baseado em um curto relato que escreveu há oito anos para combater a frustração causada pela sua pouca sorte em encontrar anúncios e vídeos musicais para dirigir, trabalho ao qual queria dedicar-se após se mudar para o sul da Califórnia.

“Para evitar ficar louco, comecei a escrever esta história que pensava que poderia servir como um grande primeiro filme”, comentou o cineasta que se inspirou em filmes como “Blade Runner – O Caçador de Andróides” e “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, “Guerra nas Estrelas” e na obra de Alfred Hitchcock.

Quando acabou o texto, o cinema estava em plena greve de roteiristas (2007) e Kosinski não podia contratar ninguém para adaptar seu texto ao cinema, portanto em vez de guardá-lo em uma gaveta, o transformou em uma novela gráfica em quadrinhos.

Depois chegou sua oportunidade de dar o salto à grande tela pelas mãos da Disney e pela saga “Tron” (da qual irá preparar uma terceira parte). Três anos de sua vida nos quais “Oblivion” foi tomando forma e cor sobre o papel através da editora de multimídia Radical Studios.

Foi a novela gráfica que chamou a atenção de Tom Cruise, que se uniu ao projeto antes de existir um roteiro. Sua incorporação foi o que Kosinski precisava para alcançar seu objetivo.

Morgan Freeman, Olga Kurylenko e Melissa Leo também aparecem no filme ambientado na Terra daqui a cerca de 70 anos, depois de uma guerra atômica contra alienígenas que optaram por destruir a Lua para gerar um cataclismo e semear o caos, elementos que receberam o sinal verde dos cientistas da Nasa, confirmou Kosinski.

Da devastação surgirá a esperança quando o personagem de Cruise recuperar uma nave acidentada.


“É um filme sobre três pessoas e há um drama real, há algumas coisas para público adulto”, comentou Kosinski em referência a uma cena erótica em uma piscina de fundo transparente que faz parte da casa de Jack Harper, uma plataforma entre as nuvens de onde sai todos os dias em suas missões de trabalho.

“Oblivion” foi rodado com tecnologia digital de altíssima resolução (4K), sem a parafernália das três dimensões, e pensada para telas de grande formato IMA.

Kosinski tentou limitar o uso de cenografia virtual e gravou paisagens panorâmicas do céu do Havaí do o cume de um vulcão para incluí-las no filme, imagens que projetou no set de gravação durante a filmagem.

“Quando os atores estão olhando pela janela nas nuvens, não há efeitos especiais. Essa luz lhes ilumina como se tivesse sido construída para tal efeito”, disse o cineasta que rodou os exteriores na Islândia e contou com o diretor de fotografia chileno Claudio Miranda, recém ganhador de um Oscar por “As Aventuras de Pi”.

Ao contrário de clássicos de ficção científica, onde a noite se impõe, “Oblivion” é um filme diurno que, apesar da desolação visível, procura transmitir a “visão otimista sobre o futuro”.

“Sinto que é uma história muito completa, acho que é satisfatória”, manifestou Kosinski, que aprendeu com os erros de “Tron: O Legado”.

“”Tron” foi um trabalho no qual havia coisas pendentes o tempo inteiro. Desta vez fechei o roteiro antes de começar o filme, e o resultado é o que podemos ver na tela. Com “Tron” não tivemos esse luxo”, confessou.