O sedã não morreu. Só ficou elétrico

A febre dos SUVs não matou o tradicional carro de três volumes. O híbrido EQ Boost, da Mercedes-Benz, é prova disso

O sedã sempre teve a pecha de ser o carro do tiozão. Com a febre dos SUVs, é como se tivesse envelhecido ainda mais. Médio verdade. O formato de três volumes, realmente, é o mais tradicional. Mas uma aparência convencional não significa menor desempenho, ou esportividade, ou prazer de estar ao volante – e não significa estar de fora da geração do futuro, a dos carros elétricos.

Exato: o sedã, esse senhor formal, também faz parte da turma dos millennials sobre quatro rodas. Dentro da Mercedes-Benz, quem desempenha esse papel é o C 200 EQ Boost, que pode ser considerado o primeiro carro elétrico fabricado no Brasil. O C 200, além dos modelos C 180 e C 300, está sendo produzido desde março de 2016 na cidade de Iracemápolis, no interior de São Paulo.

O C 200 EQ Boost é, na verdade, um híbrido. O carro leva um pequeno motor elétrico de 48 volts, que ajuda o motor a combustão nas arrancadas e retomadas, contribuindo com a redução do consumo de gasolina.

C 200 EQ Boost, híbrido da Mercedes C 200 EQ Boost, híbrido da Mercedes

C 200 EQ Boost, híbrido da Mercedes (Mercedes-Benz/Divulgação)

Testei o modelo por uma semana, no trânsito da cidade de São Paulo e em uma viagem curta para o interior. O que significa o motor elétrico na prática, na lida do dia a dia?

Bom, o carro não chega a apresentar aquela ausência absoluta de ruído em movimento, como o dos veículos 100% eletrificados, mas é bastante silencioso. É uma constatação sensorial, não estatística, e varia de acordo com a experiência de cada um ao volante. A função start and go, por exemplo, é acionada com muito pouca vibração, perto de outros modelos do mesmo segmento. De forma discreta, como convém a um senhor.

A outra diferença que o C 200 EQ Boost pode apresentar em relação a um carro que só funciona combustão é o consumo, e aí sim é possível mensurar. Na tela de alta resolução de 10,3 polegadas apareceu o modo de condução que eu escolhi – ECO, o ecológico, claro. As outras opções são o Clássico, o Esportivo e o Progressivo. Um gráfico mostra o momento em que as baterias do motor elétrico são recarregadas, nas reduções de velocidade. E aí vem o esperado gráfico de consumo, tãn tãn: 9,6 quilômetros na cidade.

Não é aquela economia enorme. Mas não é de forma alguma um índice ruim, quando se pensa no bom desempenho do carro. O motor 1.5 turbo apresenta um torque de 28,5 kgfm e acelera de 0 a 100 km/h em 7,7 segundos. É um desempenho muitíssimo bem, ainda que não o de uma Ferrari. Mas se você quisesse uma Ferraria não teria o conforto do C 200. E convenhamos: quem não gosta do conforto de um sedã?

C 200 EQ Boost, híbrido da Mercedes C 200 EQ Boost, híbrido da Mercedes

C 200 EQ Boost, híbrido da Mercedes (Mercedes-Benz/Divulgação)

C 200 EQ Boost, híbrido da Mercedes

C 200 EQ Boost, híbrido da Mercedes (Mercedes-Benz/Divulgação)