O novo Capitão América de americano só tem o nome

Herói patriota da Marvel recebe uma releitura mais realista em novo longa-metragem

Los Angeles – “Capitão América: O primeiro vingador”, o último personagem da galeria Marvel que chega aos cinemas americanos nesta sexta-feira, em sua nova versão surge com um patriotismo atenuado nos horrores da Segunda Guerra Mundial, cenário original de um super-herói nascido da luta contra o nazismo.

O super-herói, cujo filme estreará no Brasil apenas na próxima semana, se unirá assim a outros personagens da Marvel, já lançou com estrondoso sucesso produções cinematográficas estreladas por Homem Aranha, Homem de Ferro, X-Men, Hulk e Thor.

O filme narra a história de Steve Rogers, que é rejeitado pelo exército em que ansiava se recrutar. Mas o jovem magro e fracote consegue finalmente ser selecionado pelo governo para receber um tratamento secreto que instantaneamente faz com que adquira musculatura e a força de um deus grego.

Vestido com um traje com as cores da bandeira americana, um escudo ao braço e um capacete na cabeça, ele passa a combater os nazistas e frustrar os planos megalômanos do sinistro Johan Schmidt.

“A ideia da Marvel era fazer um Capitão América contemporâneo. Mas eu disse a eles: ‘Vocês têm a chance de contar a história original do personagem. Sabia que havia uma história formidável na origem do personagem”, explicou à AFP o diretor do filme, Joe Johnston.

Segundo o cineasta, o Capitão América agora não é necessariamente americano. “Podemos pegar este personagem, o que ele faz, pensa, aquilo em que acredita, e transportá-lo para qualquer cultura, país ou época”, disse ainda.

“A coisa mais americana que o filme tem é seu título. Não quis fazer um filme de propaganda”, assegura o diretor, responsável por filmes como “Jumanji” (1995), “Jurassic Park 3” (2001) e “O lobisomem” (2010).

De fato, apesar de presentes, as referências históricas são discretas. E Hitler, muito evocado, não aparece em momento algum. “Fazemos referência ao Führer, mas isso é tudo. Criamos nosso próprio universo”, acrescentou.

Reduzida ao essencial, a história elimina o peso dos efeitos especiais ou dos personagens secundários que geralmente dominam os filmes de super-heróis, o que, segundo o cineasta, dá à produção um certo toque clássico.

“Queria que o filme tivesse um sabor ‘anos 40′”, explica.

A trama do filme possui uma candura assumida: “É o Bem contra o Mal. É verdadeiramente a história de um cara qualquer que quer fazer o bem. É sobre sua determinação”, afirmou Joe Johnston.

Isso é confirmado pelo escultural Chris Evans, cujo corpo é reduzido na primeira parte do filme ao de praticamente um camarão, graças a incríveis efeitos especiais.


“O Capitão América é um cara do bem. Ele faz o bem porque é que é preciso ser feito”, acrescentou Johnston.

E ele faz isso de maneira relativamente realista. “Muitos super-heróis nasceram com seus poderes. Mas o Capitão América foi escolhido. Seus superpoderes são, em sua maioria, realistas. Ele não voa, ele não vira chamas…”

Para o ator, que foi uma tocha humana no “Quarteto Fantástico”, o maior desafio foi o peso de assumir este papel.

“É um personagem que as pessoas adoram e do qual esperam muita coisa. E eu não estava lá para criar algo novo, e sim dar continuidade a algo que já existia”, explica.

“É uma faca de dois gumes: o lado positivo é que existe um público cativo, que conhece o personagem e vai ver o filme. Mas eles vão ter uma grande expectativa e não quero decepcioná-los”, confidenciou.