Noite é dedicada ao heavy metal no Rock in Rio

O Motörhead demonstrou que o seu é um rock bronco como dos de antes. Slipknot e Metallica também coroaram o final do evento no Rio de Janeiro

Rio de Janeiro – O chão foi tingido de preto na terceira noite do Rock in Rio, com a presença de cem mil pessoas vestidas desta cor para reverenciar três dignos representantes do heavy metal: Slipknot, Motörhead e Metallica.

A escuridão, o niilismo e o desamor perverteram a otimista idiossincrasia do maior festival musical do mundo graças ao tradicional “dia do metal” de sua programação.

Recém vindos de sua colaboração com Lou Reed, um projeto de raiz literária e expressionista chamado “Lulu”, o Metallica apresentou um show de rock enérgico e contundente.

O grupo realizou um repasse de sua carreira, que começou no início dos anos 80 dentro da agressiva e rápida linha do thrash metal e que foi evoluindo rumo para o campo do gosto de um público mais majoritário, o que lhes rendeu nove prêmios Grammy e grandes sucessos como “Nothing Else Matters”.

De seus nove discos de estúdio, cinco dos quais alcançaram o primeiro lugar de vendas dos Estados Unidos, voltou a brilhar aquele ao qual pertencem esse e outros muitos bombarbadas, “Metallica” ou o álbum preto, sua conversão ao mainstream e ao trabalho mais vendido da história da música dos últimos 20 anos.

O show mais esperado da noite foi aberto com “Creeping Death”, seguida de “For Whom the Bell Tolls” (Por quem os sinos dobram), música cuja frase título era completada no refrão pelo vocalista James Hetfield com o grito de “Rio”.

Mas foram “Sad But True”, “Nothing Else Matters”, “Master of Puppets” e “Enter the Sandman” foram as que incendiaram a plateia por serem os grandes sucessos da banda

Antes deles, outras bandas tinham feito tremer os alicerces da Cidade do Rock com seus hits explosivos.

Depois da notável atuação de Sepultura no palco “Sunset” com Tambours du Bronx, foi o turno de outro grupo lendário, os britânicos do Motörhead, com o carismático Lemmy à frente, o único membro original que resta na banda.


Havia uma expectativa para ver Lemmy atuar no evento, rodeado de músicos mais jovens, que lhe devem a revitalização que grupos como o seu realizaram no final dos anos 70 nos locais ermos mais extremos do rock, após o declive da velha-guarda liderada por Led Zeppelin e Deep Purple.

O Motörhead demonstrou que o seu é um rock bronco como dos de antes, com percussão forte, metralhadoras no lugar de guitarras e fumaça “aos baldes”.

A fumaça se tornou fogo com a chegada dos americanos do Slipknot, um grupo nascido nos anos 90, que chegou ao Brasil após a grande perda no ano passado de um de seus fundadores e principal compositor, Paul Gray.

“Vocês estão prontos para ficarem realmente loucos conosco?”, gritou no meio do show o vocalista, Corey Taylor.

Fantasiados de suas características máscaras, a banda levantou a histeria com suas distorções banhadas em punk, que às vezes soam apocalípticas, às vezes paradoxalmente marciais e que, finalmente, às vezes recuperam certa tendência melódica.

Mas nem tudo acabou nesta noite para o metal no Rock in Rio, pois o festival contará no último fim de semana com a participação de outra banda lendária do rock, Guns N’Roses, assim como a dos mais recentes Evanescence e System of a Down.