Nobel de literatura: um baita negócio

O último Nobel do ano é anunciado hoje. Ao lado de prêmios como o Pulitzer e o Prix Femina, o Nobel de literatura é um grande reconhecimento na carreira dos autores e nomes ilustres compõem o rol dos laureados. Mas, além do reconhecimento, o prêmio é também uma oportunidade não só para autores, como também para editoras de ampliar seus catálogos e trazer novos autores para os leitores brasileiros.

O sul africano J.M. Coetzee, que ganhou o prêmio em 2003, esteve no Brasil em duas ocasiões, em 2007 e 2013,  para participar do circuito nacional de feiras literárias. Patrick Modiano, francês laureado em 2014, teve seis livros publicados no Brasil pela editora Record nos cinco meses que seguiram o anúncio do Nobel. O direito das obras do francês foram adquiridos dias após o anúncio do prêmio. Em 2012, a editora Companhia das Letras teve de correr para traduzir obras do chinês Mo Yan, que havia vencido o prêmio naquele ano.

A razão para tanta pressa, tanto aqui no Brasil quanto lá fora, é que ser laureado pelo prêmio vende. Antes do Nobel, Patrick Modiano havia vendido, nos Estados Unidos, somente cerca de 2.500 cópias do livro que lhe garantiu a láurea. Um ano depois do Nobel, 16 obras suas já haviam sido publicadas ou estavam em processo de tradução no país.

Dos últimos 25 Nobel, o único que ainda não tem obras publicadas no Brasil é o sueco Tomas Tranströmer, que levou o prêmio por seus poemas. A dificuldade de tradução da língua e do gênero são um dos motivos que o autor ainda não está no país — embora haja previsão de lançamento da obra ainda este ano.

Não importa quem seja o vencedor, já podemos esperar uma enxurrada de novos livros nas prateleiras nos próximos meses.