NBA 2K16 celebra a cultura do basquete e do hip-hop com trama original

Com direção de Spike Lee, título da 2K Games investe em linha narrativa para fugir da fórmula padrão de jogos esportivos

por Felipe van Deursen

O mais novo jogo de basquete da 2K, NBA 2K16, lançado no fim de setembro, tem tantos modos de jogo diferentes que podem garantir meses e meses de jogatina sem cansar. A começar pelo modo carreira, em que você cria seu jogador para ser o astro de uma história escrita e dirigida por Spike Lee. Tudo bem que há limitações quanto à customização dessa trama (tenha seu personagem a cor de pele de Magic Johnson ou a de Larry Bird, sua irmã gêmea será sempre uma gata estilo Negra Li). Mas o bacana nesse modo é a humanização que o atleta que dedica a vida ao esporte ganha.

Comece enfrentando baixinhos e gordinhos, embalado pelos gritinhos ensaiados das colegas de escola em ginásios simplórios e vazios. Ature o festival de puxassaquismo dos agentes das universidades, escolha seu destino e ingresse na concorrida liga universitária, sempre acompanhado pela família. E, depois, lute por uma vaga na NBA. História simples, mas dá um charme a mais a jogos de esporte, justamente porque eles são quase sempre desprovidos de qualquer carga dramática.

O jogo, que vendeu 4 milhões de cópias apenas na semana de lançamento, batendo o recorde da franquia, traz também outros modos interessantes, em que é possível criar times, com direito a customização de quadra e uniformes, ou até bater uma bola em quadras urbanas – com os grandes astros da NBA, meticulosamente reproduzidos, nas tatuagens, cortes de cabelo e tiques peculiares. Por exemplo: Stephen Curry, ídolo do Golden State Warriors, atual campeão da liga americana, vai cobrar um lance livre? Lá está ele pondo para fora seu protetor bucal enquanto se concentra.

(Créditos: Divulgação) (Créditos: Divulgação)

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O nível de detalhes no suor dos jogadores, no reflexo do taco da quadra, na arquibancada, nos replays, nas narrações durante, depois e antes das partidas (com Shaquille O’Neal, em formato Ronaldo Fenômeno, nos comentários) são dignas do que se espera da atual geração de videogames. Houve evolução na mecânica do jogo, mas, como quase sempre quando se trata de franquias esportivas que todo ano lançam uma nova versão um pouquinho melhor, não há inovação o suficiente para empolgar os jogadores das últimas edições.

Para os menos experientes, jogos de basquete não são lá muito fáceis desde os tempos do saudoso NBA Jam, do Super Nintendo. Quanto mais realista, mais é preciso, claro, conhecer as regras, jogadas principais e afins. Por isso mesmo, quando se começa a pegar o jeito da coisa, a diversão ganha espaço em meio a tanto realismo

Spike Lee (Créditos: Divulgação) Spike Lee (Créditos: Divulgação)

Spike Lee (Créditos: Divulgação) (Divulgação/)

Mas o grande trunfo do jogo está no clima. As animações criam a atmosfera de cobertura televisiva, dentro e fora da quadra. Mais que um frio simulador hiperrealista de um esporte coletivo com tanta ginga e malandragem quanto estatísticas e números, NBA2K16 é uma celebração da cultura do basquete nos Estados Unidos. Seja em firulas como desenhar seus próprios tênis e comprar joias, seja na história criada por um diretor que fez fama por abordar temas raciais, segregação e violência urbana. E seja também na trilha sonora, comandada pelos veteranos produtores DJ Mustard, DJ Khaled e DJ Premier. Com mais de 50 músicas, a lista conta com Nas, Living Colour, Rick Ross, Jay-Z, M.I.A., Santigold, Gnarls Barkley, LCD Soundsystem e Ramones (numa licença roqueira bem-vinda), entre outros. O Brasil está bem representado com Emicida e Rael. Ou seja, é som o suficiente para reunir os amigos e transformar em uma pequena festa. Melhor que jogar online.
NBA 2K16
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