Não recebi nenhum Picasso, diz Platini

Acusado de corrupção pela imprensa inglesa no processo de escolha de sedes da Copa do Mundo, o presidente da Uefa adotou um tom irônico na resposta

Paris – Acusado de corrupção pela imprensa inglesa no processo de escolha da Rússia e do Catar para sediar as Copas do Mundo de 2018 e 2022, o presidente da Uefa, Michel Platini, adotou um tom irônico ao afirmar não tinha recebido “nem Picasso, nem barra de ouro”.

“Sou mais do que limpo, não recebi nenhum Picasso, nem barra de ouro, nem petróleo, nem gás”, rebateu o ex-craque francês em entrevista à rádio Europe 1.

“Fui alvo de investigadores privados que lançaram rumores, talvez porque nesta época eu pensava em me candidatar à presidência da Fifa”, desabafou.

No dia 30 de novembro, Platini garantiu em entrevista à AFP que “as alegações do Sunday Times são totalmente fictícias”, chamando de “ridículas” as acusações do jornal de que ele teria recebido um quadro do famoso pintor espanhol Picasso em troca do seu voto na candidatura russa.

Quando foi perguntado pela Europe 1 se esses rumores vinham de pessoas próximas a Joseph Blatter, presidente atual da Fifa, o francês respondeu: “Não sei, mas o certo é que havia muitos interesses em jogo, muita gente não queria que a Copa fosse nos Estados Unidos. Eu repito: se votei no Catar e na Rússia, foi por convicção, eu queria que o futebol chegasse a esses novos territórios”, explicou o ex-camisa 10 da seleção francesa e da Juventus.

“Se existem provas de corrupção, teremos que votar de novo”, opinou.

Platini chegou a ser cotado para se candidatar à presidência da Fifa em 2015, mas acabou desistindo, deixando o caminho livre para a reeleição de Blatter para um quinto mandato.

“Tenho amizade e consideração por ‘Sepp’ (Blatter), mas sempre tiveram pequenos atritos entre os presidentes da Uefa e da Fifa. Não pensamos a mesma coisa, e a Fifa tem uma péssima imagem”, alfinetou.

“A Uefa tem mais cheiro de ar fresco e de futebol do que a Fifa”, resumiu.

As candidaturas do Catar e da Rússia foram investigadas e o relatório Garcia apontou irregularidades, mas a Fifa julgou que as conclusões do relatório eram de “alcance muito limitado” e confirmou os dois países como sedes das próximas duas edições da competição.

Esta interpretação deixou inconformado o próprio Michael Garcia, autor da investigação, que denunciou “apresentações incompletas e equivocadas”.