Não cabe a nós discutirmos o aborto. A decisão é da mulher!

Como homem, meu papel não é decidir, nem opinar. O corpo é dela

Nunca passei pela situação de uma gravidez indesejada. Nas duas vezes em que minha mulher engravidou, intencionalmente, tivemos dois lindos meninos. Aborto, portanto, nunca foi uma questão para nós.

 Não tenho nenhuma barreira moral ou religiosa que me impedisse. Acho o aborto uma opção perfeitamente aceitável para quem assim o decidir. Entendo que esta é uma situacão polêmica, e minha ideia aqui não é fazer apologia. Esta é a minha opinião e vale somente para mim.  Acho que quem quer, deve ter o direito de fazer. Quem é contra, simplesmente não faça.  

Abortar não seria uma dificuldade para nós, se essa fosse a nossa vontade. Neste país de privilégios, temos a sorte de pertencer a uma classe média com acesso a informação e serviços nem sempre acessíveis. Triste, mas é a realidade.  

 Se isso acontecesse, se passássemos pela situação de uma gravidez indesejada, se não tivéssemos condições de criar um filho ou simplesmente não quiséssemos tê-lo, essa decisão não passaria por mim. A escolha seria exclusivamente da minha mulher.

 Ninguém está a salvo de um erro, de tabelinha, de bebedeira. Ninguém gosta de abortar. Ninguém usa o aborto como método contraceptivo. Ninguém discute que é uma violência contra o corpo da mulher – violência que, às vezes, é a melhor decisão a ser tomada, ou simplesmente a decisão possível. Mesmo uma gravidez indesejada é uma violência contra a mulher. 

 Portanto, quem tem de decidir se vai passar ou não por essa violência não sou eu. Não é o meu corpo que vai sofrer. Meu papel, nesse caso, seria apoiar qualquer decisão que minha mulher tomasse. Como homem, meu papel é respeitar o corpo da mulher.

 Quem deveria estar discutindo essas questões, no Supremo Tribinal Federal e no Congresso, não são homens. Na verdade, acho que o assunto nem deveria estar em pauta – o aborto deveria ser liberado e pronto. Se estivesse, que fosse debatido por mulheres. Só por mulheres.       

 Meus dois filhos também jamais submeterão seu corpo à violência de um aborto. Espero que, se algum dia eles passarem pela situação de uma gravidez indesejada, entendam que a decisão de abortar não cabe a eles, e sim às suas companheiras. Se isso acontecer, como homem e como pai, sentirei muito orgulho.  

Comentários

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  1. Da Redação

    Lindo texto !!!!!!