Morre Linda Pugach, pivô de um dos famosos crimes dos EUA

Aos 75 anos, a mulher que se casou com homem que contratou bandidos para jogar soda cáustica em seu rosto faleceu nesta quarta após insuficiência cardíaca

São Paulo – Linda Pugach, a mulher que se casou com o mandante do crime que a deixou praticamente cega, morreu nesta quarta-feira, em um hospital em Long Island, nos Estados Unidos. Aos 75 anos de idade, ela sofreu de insuficiência cardíaca e não resistiu, segundo a imprensa internacional. Casada com o advogado Burton N. Pugach, ela se tornou famosa no país em 1959, quando era amante de Pugach, então casado e com uma filha.

O affair teria passado despercebido do público se a jovem de 22 anos não tivesse descoberto a vida dupla que ele levava. Ao se negar continuar seu relacionamento com alguém casado, Linda foi vítima de um dos mais famosos crimes da história de Nova York. Inconformado com o fim do caso e com a notícia de que ela estava com outra pessoa, o homem de 32 anos pagou para que jogassem soda cáustica no rosto dela, deixando-a quase completamente cega.

A violência não ficou impune e Pugach foi julgado e condenado à prisão, onde permaneceu por 14 anos. O mais impressionante, no entanto, aconteceu em 1974. Já em liberdade, o advogado conseguiu reconquistar e se casar com Linda, com quem permaneceu até a morte dela. Em texto da agência de notícias AP, ele lamentou a perda: “Eu não sei como vou continuar sem ela”. Antes de a mulher ser internada, no fim de dezembro de 2012, os dois planejavam viajar para a Flórida para comprar uma propriedade em Boca Raton.

Lembrando-se do passado, Pugach negou à reportagem do jornal The New York Times que tenha ordenado que derramassem ácido no rosto de Linda. “Eu pedi a um cara para achar alguém que batesse nela, para tentar tê-la de volta. Eu não pedi a ninguém para jogar soda cáustica nela”, disse. Mesmo tendo sido condenado pela Justiça americana, ele parece ter convencido a esposa.

Em 1997, ela depôs a favor dele em outro julgamento, no qual era acusado de ameaçar e agredir outra amante, que tinha havia cinco anos. Diante da corte, Linda afirmou que seu marido era um bom homem. Um adúltero, não um criminoso. E até mesmo a infidelidade dele tentou justificar, ao dizer que, em 1990, ela se submeteu a uma cirurgia do coração que a deixou impossibilitada de ter relações sexuais e por isso ele a traía.

Apesar de parecer estranho (ou insano) para a maioria das pessoas, os dois tentavam se mostrar como um casal que se amava, mesmo que de maneira diferente. Sua história foi relatada no livro “A Very Different Love Story” (“Uma História de Amor Muito Diferente”, em tradução livre), de Berry Stainback, em 1976, e no documentário “Crazy Love”, dirigido por Dan Klores e lançado em 2007.