Moda teve ano repleto de desafios

A não tendência, contratações, mudanças de calendário e grandes perdas, como a de Clô Orozco, marcaram a moda em 2013

São Paulo – 2013 foi movimentado dentro e fora das passarelas nacionais e internacionais. Se a tendência mor é a não tendência, com direito até à tendência da ‘não roupa’, houve de sobra diversidade de assuntos, estilos, desafios e looks no mundo da moda.

De mudanças e contratações no universo das grandes grifes (com destaque para a saída de Marc Jacobs da Vuitton depois de 16 anos), passando pela ‘descoberta’ do Brasil por marcas internacionais como Gap, Desigual, Guess, Lush, entre outras, à volta da diva Gisele Bündchen à passarela da Colcci, 2013 mostrou que a moda terá um 2014 desafiador pela frente.

Enquanto o setor fashion internacional se organiza para começar já em fevereiro seu calendário com as semanas de Nova York, Londres, Milão e Paris, o Brasil, que teve o seu calendário mudado, tem até o fim de março (SPFW começa em 31 de março e Fashion Rio em 8 de abril) para se preparar.

Impossível não pensar que, agora, a moda nacional entra de vez na passarela com o status de arte e cultura. Para isso, basta relembrar que no País, 2013 foi o ano em que a moda ganhou o interesse de quem não necessariamente segue com afinco os desfiles e as publicações especializadas.

Isso porque, em agosto, Pedro Lourenço, Alexandre Herchcovitch e Ronaldo Fraga tiveram projetos de desfiles aprovados para captar recursos por meio da Lei Rouanet (que prevê isenção fiscal a quem investir em projetos culturais). A questão é exatamente esta: moda, afinal, é cultura?

Houve quem bradasse contra, até mesmo colegas da área. Houve quem, como a ministra Marta Suplicy, defendesse a importância do soft power para a afirmação cultural e econômica do País emergente.

Os três estilistas não conseguiram captar em tempo para as semanas internacionais de outubro, mas tampouco desistiram de seu plano. Muito menos o Ministério da Cultura, que prepara o Plano Setorial de Moda que, em uma iniciativa inédita, vai estabelecer regras para o apoio ao segmento.

Mais que discutir se moda é arte, cultura ou indústria e consumo, o setor nacional tem o desafio urgente de lutar por seu espaço tanto no mercado de luxo – que enfrenta a concorrência pesada das grifes internacionais (já estabelecidas mundialmente), quanto no mercado mais popular e de fast fashion -, que encara a competição de mercados exportadores como a China e a Índia, além de concorrentes de peso como as marcas internacionais que aportaram no País.

Já as brasileiras C&A e Riachuelo ganharam coleções assinadas por nomes de peso, como Daniella Helayel, Pat Bo e Roberto Cavalli para a primeira, e Dudu Bertholini, Adriana Degreas, Helô Rocha e o consultor inglês Robert Forrest para a segunda.

Quem também chegou por aqui foi Karl Lagerfeld, que, além de criar no início do ano modelos para a grife de sapatos Melissa, ainda visitou o Brasil pela primeira vez para participar da abertura da mostra The Little Black Jacket. O todo-poderoso da Chanel trouxe convidados como a editora Carine Roitfeld, a atriz Diane Kruger e a cantora M.I.A., que fez pocket show para uma plateia tão vip quanto incomodada com a falta de simpatia do séquito internacional.

Mais agradáveis se revelaram os italianos Domenico Dolce e Stefano Gabbana, que vieram a São Paulo para comemorar o aniversário de sua primeira loja no País, apesar de enfrentarem problemas com a prestação de contas para o fisco italiano.

De tops também se faz a moda. Aportaram por aqui Lindsey Wixson, Karlie Kloss, Erin Heatherton, Alice Dellal e Candice Swanepoel. Mas quem sai mais diva do que nunca é mesmo La Bündchen, que fecha o ano como a modelo mais bem paga da história, seguida por Katie Moss (o rosto da edição de 60 anos da Playboy).

Na lista de perdas, Clô Orozco deixou órfãos os fãs da Huis Clos, em março, John Casablancas morreu em julho e a moda internacional perdeu Ottavio Missoni, em maio. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.