Mercado de arte: recorde de vendas em 2014 com US$ 54,9 bi

O crescimento do mercado da arte em vendas pela internet revolucionou o setor, permitindo transações mais rápidas e um alcance global mais amplo

Roterdã – O mercado internacional de arte e de antiguidades registrou um recorde de vendas em 2014, com transações no total de 51 bilhões de euros (US$ 54,9 bilhões), após vários anos de estagnação, segundo o relatório “O Mercado da Arte 2015” publicado nesta quarta-feira.

Esse documento é publicado em coincidência com a realização da Feira Europeia de Arte (TEFAF), cuja 28ª edição vai acontecer de 13 a 22 de março na cidade de Maastricht, na Holanda.

O mercado global de arte movimentou 51 bilhões de euros em 2014, “o número mais alto já registrado em vendas e com um aumento anual de 7%, sendo superior aos 48 bilhões de euros (US$ 51,714 bilhões) de 2007”, antes da recessão econômica mundial, explica o relatório que aponta os EUA (39%), China (22%) e Reino Unido (22%) como os principais neste setor.

A autora do documento e economista cultural Clare McAndrew destaca o “vigor contínuo” da arte moderna, assim como o de pós-guerra e contemporâneo, sendo este último “o mais importante em nível de vendas com 4 8% do total e 5,9 bilhões de euros (US$ 6,3 bilhões)”, o que representa “o nível mais alto registrado” até o momento.

Clare acrescentou que este mercado segue sendo “extremamente polarizado, no qual um número relativamente pequeno de artistas, compradores e vendedores representa uma grande parte do valor”.

A autora explicou que essa concentração “se vê contrabalançada, em certa medida, por uma promissora tendência do crescimento das vendas “online”, que estimulou um maior volume de vendas nos segmentos de preços mais baixos”.

O documento indica que o crescimento do mercado da arte em vendas pela internet “revolucionou as comunicações no setor da arte” e “o comércio eletrônico em objetos de arte ganhou um grande impulso, proporcionando maior comodidade, eficiência e acessibilidade”, permitindo transações muito mais rápidas e de um alcance global mais amplo.

Este setor de vendas “online” chegou a arrecadar 3,3 bilhões de euros (US$ 3,5 bilhões), ao redor de 6% de todas as vendas em termos de valor, já que no geral essas operações envolvem um custo mais baixo.

Este barômetro do comportamento internacional da arte aponta as mudanças de tendência na riqueza global, ou seja, os investimentos que realizam os indivíduos com alto poder aquisitivo.

O colecionador de arte se situa no terceiro posto dos investimentos mais populares desse setor da população “com uma parcela estável de 17%”, acrescenta o relatório da TEFAF, e precisa que em 2014, 70% de todas as vendas de galeristas foram a colecionadores privados.

Outra mudança de tendência é o aumento do número de feiras de modo que deixa entrever a “contribuição substancial” deste tipo de eventos em relação ao “crescimento e expansão do mercado internacional da arte”.

Essas vendas representam 40% das realizadas por colecionadores, sendo depois das galerias o segundo canal mais importante para as transações de arte.

Durante 2014, houve pelo menos 180 feiras prestigiadas de arte de caráter internacional e, em conjunto, “as 22 mais importantes geraram mais de um milhão de visitas”.

O documento também aborda o impacto econômico do mercado da arte que em 2014 gerou 2,8 milhões de trabalhos e “mais de 438 mil empregos no setor secundário da indústria, incluindo feiras de arte”.

Clare, que apresentará o relatório na próxima sexta-feira durante a feira de Maastricht, destacou “o ambiente propício que fomenta um mercado de arte próspero”.