Como o “método MacGyver” pode ajudá-lo a ter uma vida melhor

Autor do seriado tinha um método para criar as soluções mirabolantes do personagem. E os especialistas confirmam: isso funciona para qualquer um!

Crédito: Divulgação

Crédito: Divulgação (reprodução/internet)

Já estamos longe dos anos 1980, mas a pergunta “o que Macgyver faria?” ainda faz sentido, afinal, praticamente ninguém consegue realizar tantas coisas em tão pouco tempo e com recursos esparsos como o icônico personagem fazia.

Na série, o herói principal fazia milagres com um elástico, clipes e o que mais encontrasse no caminho, salvando sua pele com soluções que tiravam sinceros “aha!” dos espectadores do seriado.

Lee David Zlotoff é o gênio real por trás do gênio da ficção. O autor foi quem criou todas as sacadas do personagem.

Se um elástico salvou o mundo de uma crise nuclear, é porque Zlotoff pensou nisso. O segredo: uma técnica para automatizar os problemas e suas soluções.

 

O Método Macgyver

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Simples como suas resoluções, o método Macgyver não têm segredos, tanto que foi publicado no livro The Macgyver Secret: Connect to your inner Macgyver & Solve Anything (“O segredo de Macgyver: conecte-se ao seu Macgyver interior e resolva qualquer coisa” em tradução livre).

Infelizmente ainda não publicado no Brasil, o livro detalha e ensina como aplicar o método no seu dia a dia.

Zlotoff começa contando como desenvolveu a ideia: ainda um desconhecido roteirista de Hollywood, ele se via todos os dias pressionado a escrever novos episódios para as séries que trabalhava, sempre buscando conflitos e resoluções que não fossem óbvias.

A pressão por novos roteiros era diária, assim como a de novas ideias, que só “chegavam” em dois momentos do dia, durante o banho e enquanto ele dirigia.

Ao perceber isso, Zlotoff começou a escapar de seu escritório para voltas no carro ou até mesmo tomar banho quando não precisava. Apesar de efetivo, o método não eram sustentável (por razões óbvias).

Ele então pensou na relação entre as duas atividades até perceber que eram dois momentos do dia que ele não estava pensando em nada e nem realizando atividades mentais de alta demanda.

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A partir daí, o processo criativo. Zlotoff montou uma mesa de trabalho em seu escritório, e toda a vez que precisava de novas ideias, se sentava nela para montar modelos de miniatura em menor escala.

Realizava a tarefa por cerca de uma hora sem pensar em nada e depois ia para a lousa, onde as ideias fluíam com naturalidade. Segundo ele, o segredo é não pensar no problema e sim arejar a cabeça.

Ok, nesse momento você deve estar pensando que essa é só mais uma dessas técnicas milagreiras que aparecem de tempos em tempos na internet. Nós também achamos isso, e por isso fomos atrás de gente que entende do assunto para entender se mais uma vez Macgyver encontrou uma nova solução genial

Para nossa surpresa, a resposta foi SIM.

Quem explica é o Dr. Fabio Porto, neurologista dos Hospitais das Clínicas, Sírio Libanês e Albert Einstein. Segundo ele o cérebro tem um modo default, uma rede que abrange um  conjunto de regiões do órgão que trabalha quando não se faz nada.

Sabe os momentos em que você fica com a “cabeça nas nuvens”? É nesse momento em que o default é ligado. Ele processa todas as informações e estímulos que você recebe e trabalha. É como se ela fosse o estado natural da mente quando não estamos focados.

Por absorver todas as informações recebidas durante um dia, ela guarda uma quantidade enorme de informações que só podem ser acessadas quando não se faz nada.

Dessa forma, a técnica de Zlotoff de distrair a cabeça com modelismo faz sentido, uma vez que é uma atividade mecânica que habilita a pessoa a desanuviar e entrar no modo default, acessando diversas áreas do cérebro ao mesmo tempo. Mas apesar de eficaz, a técnica não aborda uma questão psicológica que influencia diretamente na maneira de como agir nesses momentos.

A cabeça e a pressão

 (reprodução/internet)

Não é fácil trabalhar com prazos. Cumprir ordens e metas pode ser algo estressante, e em casos extremos, paralisante.

Zlotoff criou sua técnica e começou a não sofrer com isso. Mas por mais que a ideia do modo default faça sentido, ela ainda não explica 100% o Método Macgyver por ignorar um aspecto importante: a natureza humana.

O psicólogo Nicodemos Borges explica que por instintos, o ser humano é feito para ter apenas duas reações em momento de pressão: LUTAR ou FUGIR, dois resquícios de nossos anos vivendo nas cavernas.

Porém nosso instinto não acompanhou nossa evolução, então quando entramos em situações de pressão o cérebro recebe menos oxigênio, que se concentra nas partes do corpo focadas em lutar ou correr.

Em contrapartida, com menos combustível ele tende a atuar através do instinto, o que muitas vezes pode não ser bom . Por isso pensamos menos nessas situações.

A chave para o problema é a dessensibilização, termo usado na neurologia para dizer que algum problema foi naturalizado, ou seja, começou a ser “aceito” pelo corpo.

A partir desse processo, o corpo ganha outra percepção do estresse. Ao invés de uma situação de risco, ele deve compreendê-lo como algo natural, mantendo os níveis de oxigênio e usando mais o lado racional do cérebro.

A técnica de Zlotoff naturalizou o processo criativo mesmo de maneira involuntária. O método foi compreendido como um conforto para o autor, que deixou de enxergar aquilo como estresse.

Seu corpo internalizou a questão e começou a usar seu lado racional também.

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Então da próxima vez que você se deparar com a questão “o que Macgyver faria?”, lembre-se que a resposta é: naturalizar situações de estresse e acessar a rede default do seu cérebro. Pode não ser fácil, mas é um começo.

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