Exposição no MAM pontua obras de Oswaldo Goeldi

Na contramão do projeto modernista, Oswaldo Goeldi consagrou-se por retratar um Brasil sombrio e um tanto triste

São Paulo – Nos anos 20, os artistas brasileiros estavam às voltas com a construção de uma imagem de país colorido e promissor. Di Cavalcanti esboçava suas primeiras mulatas, Manuel Bandeira recitava versos mais diretos e Tarsila do Amaral fechava a década com o ícone Abaporu, fazendo do modernismo um marco definitivo na cultura nacional.

Mas entre as manifestações exuberantes houve espaço para ao menos um retrato melancólico e escuro do Brasil, o de Oswaldo Goeldi (1865-1961). O mestre da xilogravura – técnica que usa a matriz de madeira – chegou a ilustrar as obras completas de Dostoiévski em 1937 e é dono de traços expressionistas que exploram jogos de luz e sombra.

A partir do dia 15 de junho, uma retrospectiva no Museu de Arte Moderna de São Paulo reúne cerca de 200 gravuras originais e desenhos produzidos pelo criador carioca entre 1920 e 1961.

Fã confesso do homenageado, o artista contemporâneo Nuno Ramos justifica parte de sua deferência justamente citando a via contrária que Goeldi percorreu: “Ele faz uma espécie de anticaricatura do país. Ficou meio à parte do projeto de sua época”, diz o paulistano. Em 1994, Nuno escreveu o ensaio Agouro e Libertação, sobre Goeldi, no jornal O Estado de S.Paulo, publicado depois, em 2007, no livro Ensaio Geral (editora Globo, 416 págs.).

A Exposição

Oswaldo Goeldi: Sombria Luz. Museu de Arte Moderna de São Paulo (parque do Ibirapuera, portão 3, São Paulo, SP, tel. 0++/11/5085-1300). De 15/6 a 19/8. De 3ª a dom., das 10h às 18h. R$ 5,50.