Lewis Hamilton: “Não corro pelos recordes”

Com 83 vitórias na F1, ele já pode se aproximar ainda mais uma marca: a de 91 vitórias de Schumacher na categoria

São Paulo – Depois de ter conquistado o hexa na F1, ficando apenas a um título de igualar o recorde de Michael Schumacher, Lewis Hamilton volta às pistas nesta final de semana para o último GP da temporada 2019, que será realizado no circuito de Yas Marina, em Abu Dhabi.

Com 83 vitórias na F1, ele já pode se aproximar ainda mais uma marca: a de 91 vitórias de Schumacher na categoria, recorde absoluto e que parecia inatingível quando o alemão se aposentou do esporte em 2012. Mas o que significam estes recordes para Hamilton?

“Nada”, como explicou o piloto britânico em entrevista exclusiva a Exame VIP durante o GP Brasil. Além de falar sobre seu ativismo fora das pistas, Hamilton falou também de uma nova atividade que tem tomado parte de sua agenda quando não está acelerando com seu carro da Mercedes na F1: o mundo da moda. Confira os melhores momentos da entrevista exclusiva com o piloto:

Lewis, a coleção que você lançou em setembro com a Tommy Hilfiger é a sua 3ª colaboração com eles. Como é o desenvolvimento de uma coleção? O que você prioriza? Em que você pensa?

A ideia inicial não é fazer algo apenas para os fãs de automobilismo diretamente. É desenvolver um outro lado da minha criatividade e ver até onde posso ir. Normalmente começamos com um conceito. O que os outros designers têm feito, coisas que eu faço, gosto e uso ao longo dos anos, ver o que a própria Tommy já fez no passado, observando se existe algo que se possa trazer de volta do passado. Vejo as tendências, as palhetas de cores e materiais. Tem muita coisa envolvida. Tento me ater à todas essas áreas. Depois disso nós mergulhamos de cabeça em uma determinada direção. Nosso trabalho começa 12 meses antes… é bem difícil.

O que um homem precisa ter no guarda-roupa? O que você considera realmente importante de se ter?

Essa é uma pergunta difícil. Me perguntam isso o tempo todo. Acredito que uma boa jaqueta e jeans. Jeans é ótimo para o Brasil, pois é leve e dá para usar sempre, inclusive no verão. Normalmente é o clima aqui é tão agradável, mas é a primeira vez que lembro de vir com estas temperaturas mais baixas (a entrevista foi realizada na véspera do GP em Sao Paulo no autódromo de Interlagos).

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Como você define seu estilo? Qual a sua peça de roupa preferida?

Eu gosto de dizer que o meu estilo é meio chique e meio arrojado, um “urban chic” elevado.

Você poderia identificar um dos seus momentos estilísticos favorito? Em qual ocasião você realmente achou que estava muito bem vestido?

A maioria dos dias… Nossa, eu tive tantos momentos estilosos (risos)! Eu diria que me senti muito orgulhoso de mim no MET Gala deste ano, em que elaboramos um terno maravilhoso, todo customizado. O time fez um grande trabalho, foram mais de cem horas elaborando este visual porque é tão difícil de se ter um terno realmente bem feito e a Tommy não é uma marca especializada em ternos de luxo. É obviamente mais fácil para marcas especializadas, como a Armani, porque este é o foco principal deles. Por outro lado, elas não são capazes de fazer como a Tommy faz em seu mercado premium amplo. É muito bom ver uma coisa que imaginamos e conceituamos acontecendo. Foi um visual que realmente adorei.

Você sempre pensou em trabalhar com moda?

Eu sempre gostei de moda. Eu nem sempre fui estiloso, mas eu constantemente tentei entender o que eu gosto de vestir. Foi difícil para mim porque quando eu era mais novo me influenciava muito pelo hip hop, por exemplo, e comprava roupas de segunda mão porque eram as mais baratas porque era o que eu conseguia comprar, todo nosso dinheiro ia para as corridas. Quando eu me vestia nesse estilo, eu estava, inclusive, tentando entrar para Fórmula 1. Mas eu não queria me encaixar na forma como as pessoas queriam que eu me vestisse, mas eu tive que me conformar. Me lembro da minha primeira reunião com um chefe da Fórmula 1 e ele ficar me olhando assustado. Ele estava vestindo terno e gravata e eu estava vestido como gostava na época. Eu conseguia ver o julgamento dele em seus olhos. Comecei a pensar que para poder progredir na minha profissão e alavancar minha carreira, eu teria que me vestir adequadamente da forma como ele queria. Então eu entrei em conflito. Isso até eu me firmar na F1 e perceber que eles poderiam chacoalhar a árvore que eu não iria cair. Eu poderia começar a me vestir da maneira como eu queria. Nessa jornada encontrei a moda.

Você é o piloto de F1 mais conhecido fora do esporte. Você acha que campanhas publicitárias, assim como as que você faz com a Tommy, te ajudam a ser reconhecido fora do esporte?

Eu não faço o meu trabalho duro pensando em receber reconhecimento das pessoas. Não é esta a minha motivação. Mas é incrível ter ultrapassado isso (o reconhecimento fora da F1), me conectando uma audiência diferente. A F1 é um nicho muito pequeno, mas as coisas que tenho feito na Tommy e o que a Tommy faz por mim permite que eu me expresse da minha própria maneira. E não algo como “você tem que ser assim”. Não, você tem que ser você mesmo. Muitas marcas exigem que você seja exatamente como eles querem e a Tommy é o oposto, é incrível. Eles amam o jeito que você é e querem você brilhou desta forma. Sou eternamente grato ao Tommy (Hilfiger, fundador da marca), o homem por trás da marca. Sempre serei grato por esta oportunidade.

Até um piloto de F1 nem sempre pode se vestir da forma como quer, certo?

A maioria (dos pilotos) não se importa como se vestem. Algumas pessoas apenas não dão importância. Eu amo moda. Eu amo como as coisas nela estão constantemente se movendo e mudando. Em um desfile de moda há todos os tipos de pessoas usando todos os tipos de coisas. Uma das melhores coisas no desfile da Tommy, para mim, é ver as pessoas vestindo as minhas coisas, de uma forma que eu jamais imaginaria usá-las, misturando com outras marcas. É muito incrível.

Falando um pouco mais de F1, você quebrou vários recordes e está bem próximo do número de Michael Schumacher. Isso, no final, é importante para um piloto, não é?

Não. Não posso dizer que sou igual a todos os pilotos. O número de títulos não é o mais importante. Eu não me importo com os números. Talvez seja bacana no final (da carreira) olhar e ver o que conquistou…Mas não tem significado agora.