Jorge Amado, o brasileiro mais próximo de ganhar o Nobel

O escritor baiano mereceu, mas nunca levou. Não tinha o perfil da obscura Academia Sueca

São Paulo – O Brasil tem uma inevitável carência acadêmica e cultural: o prêmio Nobel. Alguns dos nossos vizinhos, como Chile e Argentina, conquistaram alguns desses prêmios, inclusive na literatura — uma das áreas em que mais tivemos chances.

Entre nossos candidatos mais fortes, o que mais chegou perto foi Jorge Amado. Entre os anos 1970 e 1980, no auge da sua fama internacional, seu nome foi cogitado várias vezes pela Academia Sueca, a entidade responsável pela escolha. Sabe-se, de maneira não oficial, que, em 1988, Jorge Amado teria perdido o prêmio, por apenas dois votos, para Nagib Mafous, o primeiro escritor de língua árabe a receber o Nobel.

Mas a verdade é que todas as informações relacionadas com o prêmio são obscuras — e a Academia Sueca, encarregada pela Fundação Nobel a escolher o premiado, não faz questão nenhuma de transparência. Os critérios que adota são apenas imaginados, nunca confirmados.

Jorge Amado foi uma das maiores referências literárias da América Latina durante aquela década. Mas sofria duas restrições. A primeira delas foi escrever em português — muito embora tenha sido um dos autores mais traduzidos do mundo, em mais de 36 idiomas. A segunda, foi ser muito popular, um verdadeiro fenômeno de vendas no Brasil e fora dele — a Academia sempre teve uma queda por escritores mais estilistas e obscuros. “Que outro prêmio pode querer um escritor cuja obra é lida em mais de 30 idiomas?”, dizia ele, dando de ombros por ter sido preterido. “Prêmios são uma besteira. A pior coisa para um escritor é ficar correndo atrás de consegui-los”.

Mas a verdade é que ele teria se sentido muito honrado e feliz se tivesse recebido o Nobel — o primeiro escritor brasileiro a receber essa honra.