“Irmão do Jorel” vence prêmio de animação na Espanha

"Irmão do Jorel é muito mais que entretenimento", afirmou o diretor Juliano Enrico que dedicou o prêmio a toda equipe da animação

Santa Cruz de Tenerife — A terceira temporada de “Irmão do Jorel” venceu na noite de sábado em Tenerife, na Espanha, o prêmio de melhor série de animação da segunda edição dos Prêmios Quirino, instituídos para promover a indústria ibero-americana da animação.

A série, dirigida por Juliano Enrico e que mostra a vida cotidiana de uma família brasileira nos anos 80, venceu concorrentes como “Petit”, de Bernardita Ojeda Sala (Chile, Argentina, Colômbia); e a segunda temporada de “Puerto Papel”, de Álvaro Ceppi (Chile, Brasil, Colômbia, Argentina).

Enrico dedicou o reconhecimento a todos os artistas, roteiristas, animadores, produtores e atores brasileiros, e ressaltou que a animação no país é “muito mais” que entretenimento.

“É um negócio, são muitos artistas e muito talento, e tem que continuar”, declarou.

Outra produção brasileira, “Guaxuma”, de Nara Normande, também foi premiada na categoria melhor curta de animação.

Neste caso, a coprodução brasileiro-francesa competia contra o curta-metragem espanhol “La Noria”, do diretor Carlos Baena; e a coprodução franco-espanhola “Soy una tumba”, de Khris Cembe.

Durante seu discurso, Normande criticou o regime “fascista” do presidente Jair Bolsonaro e lembrou do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem se referiu como “preso político”, e de Marielle Franco, vereadora carioca assassinada em março de 2018.

Além disso, comentou que o futuro do cinema no Brasil “atualmente é incerto” porque estão “quase sem fundos”.

Na principal categoria da noite, o filme colombiano “Virus Tropical”, de Santiago Caicedo, levou o prêmio de melhor longa-metragem do ano.

Trata-se de uma adaptação da graphic novel homônima de Power Paola (Paola Andrea Gaviria) e narra a história de Paola, uma menina que cresce entre Cali (Colômbia) e Quito (o Equador) e que luta para tomar as rédeas da sua vida.

Durante seu discurso, Caicedo ressaltou a contribuição de toda a equipe que participou do filme e dedicou o prêmio “a todos os meninos e meninas que se atrevem a ser eles mesmos” e “que tentam dencontrar seu lugar no mundo”.

A produção colombiana superou na disputa o brasileiro “Tito e os pássaros”, de Gustavo Steinberg, Gabriel Bitar e André Catoto; e as coproduções espanholas “Buñuel en el laberinto de las tortugas”, de Salvador Simó (Espanha, Países Baixos) e “Un día más con vida”, de Raúl de la Fuente e Damian Nenow (Espanha, Polônia, Bélgica, Alemanha).

Os Prêmios Quirino também reconheceram outras seis grandes obras: as espanholas “Patchwork”, de María Manero; “”La increíble historia del hombre que podía volar y no sabía cómo”, de Manuel Rubio; e “Black is Beltza”, de Fermín Muguruza, levaram a melhor nas categorias melhor curta-metragem escolar, melhor animação sob encomenda e melhor design de som e trilha sonora original, respectivamente.

Por sua vez, o argentino “Belisario – El pequeño gran héroe del Cosmos”, de Hernán Moyano, foi reconhecido como melhor obra inovadora; a chilena “La casa lobo”, de Cristóbal León e Joaquín Cociña, ganhou o prêmio de melhor desenvolvimento visual; e a coprodução entre Chile, Brasil, Colômbia e Argentina, “Puerto Papel – La vida de los otros”, venceu a categoria de melhor design de animação.

Os promotores dos Prêmios Quirino, José Luis Farías e José Iniesta, ressaltaram que indústria ibero-americana da animação deve estar unida para que “o setor se fortaleça”.

“Acreditemos juntos, realizemos juntos, façamos juntos e cresçamos juntos. Longa vida à animação da Ibero-América e longa vida aos Prêmios Quirino”, afirmou Iniesta.

Estes prêmios devem seu nome ao criador do primeiro longa-metragem de animação da história, Quirino Cristiani, que em 1917 dirigiu “El Apóstol”, uma produção argentina na qual foram utilizados 58.000 desenhos feitos à mão e várias maquetes que representavam edifícios públicos e ruas de Buenos Aires.