Guillermo Ochoa, do rebaixamento na França à glória na Copa

Menos de um mês depois ter sido rebaixado no Campeonato Francês, o goleiro mexicano se consagrou com uma atuação brilhante no empate entre Brasil e México

Fortaleza – Menos de um mês depois ter sido rebaixado com o modesto Ajaccio, lanterna do Campeonato Francês, o goleiro mexicano Guillermo Ochoa se consagrou com uma atuação brilhante, que ajudou sua seleção a segurar o empate sem gols com o Brasil, nesta terça-feira, em Fortaleza.

O goleiro de 28 anos fez defesas espetaculares, inclusive uma que lembrou o inglês Gordon Banks parando uma cabeçada quase indefensável de Pelé na Copa do Mundo de 1970, no México, em lance protagonizado por Neymar, o novo camisa 10 da seleção brasileira.

“Sem a menor dúvida, a de hoje foi a melhor partida da minha vida, pelo adversário que enfrentamos, o anfitrião do Mundial. Vou lembrar dela para sempre”, destacou “Memo” Ochoa, que disputa sua terceira Copa, a primeira como titular.

O “paredão” mexicano teve grande destaque no Twitter, ganhando até elogio do superastro do basquete Kobe Bryant. “OCHOA!! Incrível #mexico #worldcup”, postou o jogador do Los Angeles Lakers.

“Ochoa fez uma grande partida e fez uma grande temporada, apesar de sua equipe ter sido rebaixada”, admitiu o zagueiro brasileiro David Luiz depois da partida, que acabou com uma sequência de 10 vitórias da seleção.

Problemas com doping

O que impressionou foi a atitude do goleiro depois de cada uma das defesas milagrosas. Ao invés de bater no peito e comemorar como se tivesse feito um gol, Ochoa sempre se manteve calmo.

Depois da defesa no estilo Gordon Banks, ele simplesmente ajeitou a faixa na sua cabeça e arregaçou as mangas. Depois de parar com a barriga outra cabeçada à queima-roupa de Thiago Silva, simplesmente levantou, sem mostrar qualquer reação.


Nos últimos anos, o mexicano teve poucos motivos para comemorar. Atuou três temporadas na Córsega, num estádio muitas vezes praticamente vazio, a anos-luz do ambiente elétrico do Castelão lotado.

Em 2011, quando chegou ao Ajaccio clube de menor orçamento na Ligue 1, muitos estranharam, já que tratava-se de um goleiro reconhecido no seu país, que atuava no tradicional América.

“No Ajaccio, encontrei condições ideais. Foi o único clube que me estendeu a mão depois do caso de doping no qual fui acusado. Isso criou vínculos que não se esquecem”, justificou o jogador.

Em junho daquele ano, poucos meses antes de chegar à Córsega, “Memo” foi expulso da seleção mexicana junto com outros quatro companheiros por terem sido flagrados em exame antidoping por uso de clenbuterol durante a Copa Ouro. Foram absolvidos mais tarde pela federação do país, que considerou que tinham sido vítimas de “intoxicação alimentar”.

O caso acabou beneficiando o pequeno Ajaccio, já que o goleiro estava na mira de clubes bem mais prestigiosos, como Manchester United e Paris Saint-Germain.

Ochoa se firmou rapidamente como um dos melhores goleiros do Campeonato Francês, tornando-se um ídolo na Córsega, salvando o time do rebaixamento duas vezes. Apesar do assédio de outros clubes, sempre se recusou a deixar o Ajaccio. Na terceira temporada, porém, não teve jeito.

O clube foi rebaixado e os dirigentes aceitaram liberar o mexicano. Se antes da sua atuação contra o Brasil, o goleiro já despertava a cobiça de “gigantes” do futebol europeu, “Memo” ganhou na terça-feira a certeza de poder atuar no mais alto nível na próxima temporada.