Garganta do Diabo, joia das Cataratas do Iguaçu, é reaberta

As cataratas do lado argentino fazem parte do Parque Nacional Iguazú, uma área preservada de 67.720 hectares na província de Misiones

Cataratas do Iguaçu (Argentina) – ‘Agora entendi por que é uma das Maravilhas do Mundo’, diz um menino boquiaberto perante a Garganta do Diabo, a principal queda d’água das Cataratas do Iguaçu, após a reabertura esta semana do circuito que permite acompanhar este espetáculo natural a partir do lado argentino do parque.

A histórica cheia do Rio Iguaçu em junho deste ano, a maior já registrada, fez com que 80% das passarelas desmontáveis do circuito fossem arrastadas corrente abaixo e privou os visitantes de seu mirante mais popular durante os seis meses que foram necessários para a reconstrução.

‘Estar aqui hoje nos leva a lembrar de todos os esforços dos Parques Nacionais e do setor privado para poder chegar o fim de ano com os visitantes de todo o mundo desfrutando deste lugar único’, disse o titular da Administração de Parques Nacionais da Argentina (APN), Carlos Corvalán, na cerimônia de reabertura na segunda-feira passada.

Corvalán destacou o ‘trabalho de risco’ realizado pelos 80 profissionais que inspecionaram os tanques de concreto que sustentam às passarelas, recuperaram os trechos levados pela água e voltaram a fixá-los ao longo dos 1.100 metros de itinerário sobre o Rio Iguaçu que desemboca na Garganta do Diabo, a maior das 275 quedas d’água do parque.

‘Foi uma sorte a reinauguração ser justamente agora e eu poder vê-la’, comemorou a turista espanhola Ana García no mirante. ‘Dá até vertigem. Fiquei hipnotizada tentando acompanhar a queda d’água e os pássaros que parecem atravessar as cascatas’, acrescentou após fazer uma selfie com uma amiga.

Exemplares do andorinhão-preto de cascata, ave mais emblemática das mais de 400 espécies existentes no parque, sobrevoam em bandos as cortinas d’água e fazem ninho nos paredões rochosos por trás delas, para proteger seus ovos e filhotes de predadores.

‘Ninguém pode defender o que não conhece’, ressaltou Corvalán sobre a importância de impulsionar políticas públicas que atraiam turistas argentinos para os parques nacionais e outras áreas protegidas.

Apesar do forte aumento de turismo estrangeiro no lado argentino das Cataratas, que este ano foi de 48%, os argentinos ainda são maioria entre os mais de 1,2 milhão de visitantes anuais da joia natural mais admirada do país.

‘O fechamento (da Garganta do Diabo) não reduziu as visitas, mas diminuiu a estadia média’, declarou à imprensa o responsável pelo Parque Nacional Iguazú, Sergio Bikauskas.

Em junho, as copiosas chuvas na bacia do Rio Iguaçu e a ruptura parcial de uma represa em construção no Brasil elevaram em questão de horas o nível de água até os 46 mil metros cúbicos por segundo, quando habitualmente é de 1.500 m3/s.

Reparar os danos causados por esta inundação sem precedentes demandou um investimento de 20 milhões de pesos (R$ 6.295.820), segundo o titular da APN, que acrescentou que no próximo mês terminarão as obras de 10% do circuito que ainda permanece fechado ao público.

Representantes argentinos e brasileiros dialogam há muito tempo para a criação de um parque binacional que simplifique o acesso a esta área protegida no limite entre ambos os países.

As cataratas do lado argentino fazem parte do Parque Nacional Iguazú, uma área preservada de 67.720 hectares na província de Misiones.

Em 2011, o conjunto das Cataratas do Iguaçu foi escolhido como uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo. EFE