Frente a frente (ou quase) com Gorillaz, que faz show pela 1ª vez em SP

Banda criada por Blur Damon Albarn e o quadrinista Jamie Hewlett se apresenta no Jockey Club nesta sexta-feira, 30

Diante da pergunta sobre quem responde pelos Gorillaz – que “dão” entrevistas por e-mail -, Jamie Hewlett disfarça. “São os personagens!”, ele diz.

Diante do silêncio do lado de cá da linha, ele segue: “Eu não posso responder. É como revelar a verdadeira identidade do Mágico de Oz. São os músicos, atores, comediantes, há muita gente que faz parte da nossa família agora.

Na verdade, eles são mais reais que os popstars de hoje, que sempre mentem em entrevistas. Para mim, eles são mais verdadeiros”. A seguir, leia a entrevista por e-mail com 2D, Murdoc Niccals, Noodle e Russel Hobbs, como se fossem uma banda real:

Foi fácil voltar ao ponto deixado pelo último disco da banda?

Murdoc Niccals: Voltar para onde estávamos? Não tenho interesse. O Gorillaz nunca vai para trás, nós somente vamos para frente, como um carro sem a marcha à ré e freios quebrados. É, pode ser perigoso, mas se você não fizer isso, você ficará estacionado, repetindo a si mesmo.

De qualquer forma, foram anos distante da rotina das turnês?

Russel Hobbs: A vida na estrada é ótima, desde que você tenha um daqueles travesseiros de pescoço infláveis. Eu tenho dois. E evite ficar no mesmo andar que Murdoc nos hotéis. Ou melhor, fique em um hotel diferente do dele. Ele ainda não foi domesticado.

Noodle, você viveu no Japão, o que trouxe dessa experiência para o disco do Gorillaz?

Noodle: Todos os acontecimentos nas nossas vidas, pequenos e grandes, fazem quem nós somos. No Japão, eu passei sete anos caçando um demônio transmorfo. Acho que isso me ajudou a buscar a determinação necessária para conviver com Murdoc e os meninos na mesma casa de novo. Também descobri um café em Tóquio no qual você é rodeado por gatos e corujas de verdade. Eu não tenho certeza do que eu aprendi com isso, mas acho que o tempo vai dizer.

O que esse título, Humanz, quer dizer sobre o disco e sobre a humanidade?

Niccals: Você não consegue pontuar a música dessa forma. O que posso dizer é que Humanz, como todas as músicas, canaliza um sentimento. Algo que está em todos nós nesse momento, ao percebermos que a humanidade caminha para um lugar desconhecido. Estamos mudando como espécie, somos mais digitais. É humanos com um ‘z’. O que isso significa para a humanidade? Eu sei lá.

Qual foi a parceria vocal mais desafiadora?

2D: Grace Jones! Nunca vou esquecer que nos conhecemos. Ela entrou no estúdio, me acordou, tirou seu casaco, olhou para mim e disse: ‘Pegue meu casaco’. E eu peguei.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.