Filme sobre cinema mudo ganha espaço na disputa pelo Oscar

Filmado em preto e branco, 'The Artist' ganhou prêmios em Nova York e se tornou um dos favoritos para disputar a estatueta

Los Angeles – “The Artist”, um filme preto e branco feito em homenagem à era dos filmes mudos, está dominando as conversas de cinéfilos em Hollywood, onde é frequentemente apontado como um dos principais candidatos ao Oscar.

O filme do diretor francês Michel Hazanavicius ganhou o prêmio de melhor filme e melhor diretor esta semana no New York Film Critics Circle, ganhando mais chances de ser apontado como candidato pela Academia.

No mesmo dia, ganhou uma nomeação para melhor filme no Independent Spirit Awards, outro termômetro da disputa pela estatueta de ouro no que será, em fevereiro, o clímax da já iniciada temporada de prêmios.

Distribuído pela The Weinberg Company – uma produtora veterana que produziu o vencedor do Oscar de Melhor Filme no ano passado, “O Discurso do Rei” -, conta a história de um astro do cinema mudo, George Valentin, cuja carreira é prejudicada pela chegada dos filmes com áudio.

Enquanto sua fortuna despenca, uma jovem atriz e dançarina que inicialmente o idolatrava – Peppy Miller – está a caminho de ser a nova estrela de Hollywood na nova era de filmes sonoros.

Sem estragar a surpresa, o clímax do filme mostra o retorno do casal em um final dramático e comovente.

Filmado em preto e branco com uma impecável atenção aos detalhes que marcaram a época, como os passos de dança à moda de Fred Astaire e de Ginger Rogers, o filme ganhou o coração de críticos dos dois lados do Atlântico.

O ator Jean Dujardin, que interpreta Valentin, ganhou o prêmio de Melhor Ator em Cannes em maio, e o filme venceu uma série de outros prêmios na Europa e nos Estados Unidos, antes de estrear nos cinemas americanos em 23 de novembro.

O San Francisco Chronicle chamou o filme de “uma conquista profunda”, em uma crítica publicada na quinta-feira.

“Um filme mudo – ou melhor, um filme com áudio com uma trilha-sonora – traz tal domínio do formato que poderia facilmente ser confundido com um clássico de verdade”, publicou.


Mais recentemente, o diretor e os atores do filme viajaram a Los Angeles para apresentá-lo ao festival do American Filme Institute (AFI), permanecendo em Hollywood tempo suficiente para levantar dúvidas sobre sua campanha para o Oscar.

Hazanavicius disse que, enquanto os filmes mudos foram feitos por muitos países nos anos 1920, incluindo Rússia, Alemanha e França, ele decidiu prestar uma homenagem aos filmes americanos porque eles se preocupavam em contar boas histórias.

“Os sentimentos descritos nas obras de arte daquela época eram humanos, baseados nas emoções reais, e era isso que eu procurava”, disse.

Dujardin, falando após a projeção de seu filme no Teatro Chinês dos Graumann, disse que foi inspirado por ícones de Hollywood como Douglas Fairbanks, “mas também Gene Kelly, por seu sorriso e energia, ou Clark Gable… pelo bigode.”

Não bastasse o filme ser apontado como favorito para Melhor Filme, Fotografia e Ator, outra de suas estrelas – um cachorro chamado Uggie – também está sendo cotada para um prêmio.

O terrier, uma companhia constante de Valentin durante a montanha-russa emocional do filme, já ganhou um prêmio extraoficial, o Palm Dog, em Cannes.

O site especializado Movieline lançou esta semana uma campanha “Lembre de Uggie” para que o cão ganhe mais prêmios.

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciará os indicados ao Oscar em 24 de janeiro, enquanto os vencedores serão anunciados na festa que ocorrerá em 26 de fevereiro.