Festival de Sundance celebra cinema independente dos EUA

Festival criado por Robert Redford completa 28 anos como principal contrapeso a força dos grandes estúdios

Los Angeles – O 28º Festival de cinema de Sundance começa nesta quinta-feira em Park City, nas montanhas de Utah (oeste dos EUA), para mostrar durante dez dias a qualidade e a maturidade do movimento de cinema independente americano, diante do poder da indústria de Hollywood.

O festival, fundado pelo ator Robert Redford para dar visibilidade à produção independente americana e internacional, frequentemente ofuscada pelos grandes estúdios, se tornou o evento imperdível do cinema “indie”, embora Hollywood utilize o encontro para descobrir novos talentos.

Sundance, que ocorre de 19 a 29 de janeiro, apresenta neste ano 117 longa-metragens de 30 países, entre os quais 45 filmes de estreantes (dos quais 24 estão em competição) e 91 estreias mundiais.

“O que vejo é uma maior profundidade e qualidade dos cineastas independentes em relação a dez anos atrás”, disse à AFP John Cooper, diretor-geral do festival.

“À medida que o movimento independente ganha maturidade, o nível aumenta a cada ano. Os cineastas têm consciência disso e sabem que competirão entre si”, afirmou.

Entre os filmes iberoamericanos competem o brasileiro “A Cadeira do Pai”, de Luciano Moura; o argentino “El último Elvis”, de Armando Bo; o espanhol “Madrid, 1987”, de David Trueba; e os chilenos “Violeta se fue a los cielos” (Andrés Wood) e “Joven y alocada” (Marialy Rivas).

Fora da competição será realizada a estreia mundial de “Red Lights”, do diretor espanhol de 38 anos Rodrigo Cortés, com a atuação de pesos pesados como Robert De Niro e Sigourney Weaver. Cortés é também autor de “Buried”, que ganhou no ano passado três prêmios Goya, um filme que fala de um homem (Ryan Reynolds) que é enterrado vivo no Iraque.


A grande maioria dos filmes presentes em Sundance não têm distribuidor para o momento de sua projeção e Park City lota de distribuidores independentes – como a Weinstein Company dos irmãos Weinsten – e de divisões de “arte e ensaio” dos estúdios, que disputam os filmes mais promissores.

No fim, muitos deles, em particular os filmes americanos em competição, encontram um comprador e inclusive fazem formidáveis carreiras nas salas de cinema e na corrida pelo Oscar, como ocorreu nos últimso anos com “Preciosa”, “Pequena Miss Sunshine”, “Inverno da Alma” e “Namorados para Sempre”.

Embora os filmes sobre as guerras no Iraque e Afeganistão, que dominaram em 2010 e 2011, estejam ausentes neste ano na competição de documentários – uma das áreas de excelência do festival – os filmes sobre atualidade estarão muito presentes nos cinemas de Park City.

A revolução egípcia é, assim, o tema de “1/2 Revolution”, enquanto o conflito israelense-palestino será evocado através da história pessoal de um cinegrafista amador palestino (“5 broken cameras”) e das ações do exército israelense nos territórios palestinos (“The Law in These Parts”).

Também serão abordados grandes temas da sociedade, do nuclear (“The Atomic States of America”) ao sistema de saúde americano (“Escape Fire”), passando pela guerra contra as drogas (“The House I live In”) ou a complexa relação entre economia e religião (“Payback”).

Além disso, vários diretores reconhecidos apresentarão suas mais novas produções, entre eles Spike Lee (“Red Hook Summer”) ou o britânico Stephen Frears (“Lay the favorite”), enquanto algumas estrelas de Hollywood darão um banho de cinema independente, como Catherine Zeta-Jones, Zoe Saldana, Sigourney Weaver, Bradley Cooper, Richard Gere, Dennis Quaid e Bruce Willis.