Executivos estão comendo mais manteiga e bacon

Pesquisa indica que homens e mulheres de negócios têm consumido mais alimentos gordurosos e doces do que o recomendado

São Paulo – Informação a respeito dos riscos de uma dieta rica em alimentos gordurosos e doces é o que não falta. Mesmo assim, os executivos brasileiros estão comendo mais itens desse tipo, de acordo com uma pesquisa realizada pela operadora de saúde Omint. Ao todo, 4.093 profissionais que ganham entre 7 mil e 45 mil reais por mês foram monitorados entre o começo de 2011 e o final de 2012.

Nesse período, o consumo de comidas como manteiga, margarina e bacon cresceu. Em 2011, a porcentagem de executivos que ingeriam esse tipo de alimento com alta ou média frequência era de 24%, enquanto, no ano seguinte, o número passou para 29%. A preferência por queijos amarelos e leite integral também subiu: em 2011, 36% dos participantes tinham hábito de comer  em grandes quantidades e, em 2012, o valor foi para 45%.

A ingestão de doces, refrigerantes açucarados e guloseimas se manteve entre os dois anos, mas não deixa de ser preocupante. Segundo o estudo, 50% dos executivos reconheceram que consomem esses produtos com muita frequência. O ponto mais positivo revelado no levantamento foi o aumento da preferência por carnes brancas, em relação a vermelhas (em 2011, 66% comiam muita carne vermelha, e, em 2012, eram 51%), e por pães e massas integrais (há dois anos, 59% preferiam esse tipo a produtos com farinha branca, enquanto, no ano passado, a quantia passou para 80%).

Para o diretor médico da Omint Caio Soares, esse resultado mostra que a alimentação não está boa, apesar do esforço para a conscientização da importância de uma rotina saudável. “O executivo é uma pessoa bem informada, sabe dos riscos de comer comida gordurosa. A impressão é de que os executivos acreditam que o risco não é deles”, afirma. Segundo o médico, a sensação de não fazer parte do problema é reforçada pela segurança proporcionada pelos planos de saúde, que dão a impressão de que vão cobrir todo e qualquer incidente.

“E isso é muito ruim. O nosso corpo é como um carro que não tem como trocar. Ou a gente faz a manutenção, ou o carro para no meio da estrada”, diz Soares. De acordo com ele, as estratégias para mudar esses hábitos englobam uma comunicação mais incisiva sobre os danos provocados pelos excessos na alimentação e pela transformação gradual da rotina das pessoas.

Além disso, ele percebe que ainda há poucas empresas preocupadas com a alimentação de má qualidade dos seus funcionários e ressalta que uma política interna de incentivo a uma vida mais saudável é importante não só para quem está no mercado de trabalho hoje, mas também para as próximas gerações, que devem aprender com os mais velhos a cuidar mais do próprio corpo.