EUA e Canadá concentram medalhas e emergentes regridem

Competindo praticamente em casa, os EUA enviaram ao Canadá a delegação mais forte da história do evento

São Paulo – Desde que os Jogos Pan-Americanos passaram a ter o atual formato, em 2003, com o corte de mais uma centena de provas que não fazem parte dos Jogos Olímpicos, nunca antes dois países haviam concentrado tantas medalhas em suas mãos quanto Canadá e EUA na edição deste ano, em Toronto. Juntos, os dois vizinhos faturaram 482 medalhas.

As razões para isso estão diretamente ligadas à cidade sede do Pan. Entre Buffalo (cidade americana do estado de Nova York) e Toronto, são apenas 150 quilômetros.

Competindo praticamente em casa, os EUA enviaram ao Canadá a delegação mais forte da história do evento, ainda que não tenha contado com seus melhores nomes na natação, atletismo, ginástica artística (feminina) e tiro esportivo.

Nessas modalidades, entretanto, os EUA sobram. Sozinhas, foram responsáveis por dois terços da conquistas americanas em Londres. Por isso, mesmo o time B ou C dos EUA é mais forte do que qualquer outro do continente. Em Toronto, elas asseguraram 101 conquistas aos norte-americanos.

Já o desempenho do Canadá superou bastante o esperado pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), por exemplo. A evolução explicada tanto pelo “fator casa” quando pelo programa olímpico bem sucedido dentro do Canadá nos últimos anos.

Os canadenses não têm resultados recentes muito melhores do que o Brasil no atletismo, por exemplo – fizeram nove finais no último Mundial, contra sete do Brasil.

No último Mundial de natação, ganharam só três medalhas. Mas, no Pan, foram ao pódio 53 vezes só nessas duas modalidades, sendo 19 de ouro. Em 2011, haviam faturado só nove medalhas.

Ex-emergentes

O Brasil, que também apresenta evolução no seu programa olímpico às vésperas do Rio-2016, não foi afetado por este cenário. “Neutralizou” as fortes delegações de Canadá e EUA repetindo as 141 medalhas de Guadalajara.

Os países emergentes no esporte do continente, entretanto, não tiverem a mesma sorte – ou capacidade. Com exceção da Argentina, todos os sete melhores latinos do quadro de medalhas em 2011 pioraram seu desempenho no número total de medalhas.

E isso inclui a Colômbia, que ganhou os holofotes nos primeiros dias do Pan por ficar momentaneamente à frente do Brasil. Os colombianos fizeram o previsto: ganharam as 13 medalhas possíveis no levantamento de peso, 14 em modalidades não-olímpicas, mas apenas seis no ciclismo. Terminaram com 72 medalhas, 12 a menos do que em 2011.

O México, como esperado, também ficou longe de repetir o desempenho de quatro anos atrás, quando competiu em casa. Perdeu medalhas em quase todas as modalidades, mas principalmente nas que não são olímpicas. Nelas, perdeu 12 das 40 medalhas que “sumiram” da conta em quatro anos.

Cuba vem perdendo força esportiva nos últimos anos. Caiu de Santo Domingo (2003) para o Rio (2007), manteve o desempenho em Guadalajara (2011), mas voltou a despencar, perdendo 39 medalhas em quatro anos. O péssimo desempenho no atletismo (caiu de 33 para nove medalhas) e a exclusão da pelota basca como modalidade (rendeu oito pódios aos cubanos em 2011) explicam quase sozinhas o fenômeno.

Dos “emergentes”, só a Argentina repetiu o resultado de 2011 (75 medalhas), beneficiada por 16 conquistas em modalidades não-olímpicas – contra nove do Brasil, por exemplo. A Venezuela caiu de 71 para 50, o Chile deixou escapar 14 pódios (de 43 a 29), a República Dominicana perdeu nove medalhas (33 a 24), a Guatemala cinco (15 a 10) e Porto Rico sete (22 a 15).

Só dois países relevantes fizeram caminho contrário: o Equador, que vem crescendo edição a edição desde 2003 e chegou a 32 conquistas em Toronto, um terço delas em modalidades não-olímpicas, e o Peru, que já se prepara para os Jogos de Lima e dobrou o número de medalhas: 14 a sete.

Vale destacar também, entretanto, um crescimento dos demais países caribenhos, especialmente no atletismo. Só nesta modalidade, eles somaram 26 medalhas, o dobro das 13 obtidas há quatro anos.