Estrelas, festas, escândalos e bom cinema em Cannes

Festival de Cannes deste ano contará com a tradicional presença de astros de Hollywood e com suas luxuosas festas às margens do Mediterrâneo

Cannes – “Grace de Monaco”, protagonizado por Nicole Kidman, abrirá com uma dose de escândalo e glamour o Festival de Cannes deste ano, com a tradicional presença de astros de Hollywood e com suas luxuosas festas às margens do Mediterrâneo.

Seu diretor, o francês Olivier Dahan (“La vie en rose”), a bela atriz australiana e Tim Roth, que interpreta o príncipe Rainier, serão os primeiros de uma centena de cineastas e atores de todo o mundo a aparecer no Palácio dos Festivais na quarta-feira para a cerimônia de abertura, que será coberta por 4.500 jornalistas e cinegrafistas do mundo todo.

Este evento, um dos mais esperados do Festival, não contará com a presença dos filhos de Grace Kelly e Rainier – que se conheceram em 1955, quando a atriz de Hollywood viajou a Cannes para apresentar “Ladrão de Casaca” (também conhecida por “Disque M para matar” e “Janela Indiscreta”) de Alfred Hitchkoch, e se casaram em 1956.

Os filhos da princesa, que morreu tragicamente em 1982, consideram que o filme traiu a história da família, e sua filha mais nova, Stéphanie, chegou a pedir que os fotógrafos deixem suas câmeras no chão quando a equipe de “Grace” passar pelo tapete vermelho.

A chuva de astros que passarão por Cannes durante 12 noites inclui lendas como a italiana Sophia Loren e a francesa Catherine Deneuve, e jovens estrelas como Kirsten Stewart, Robert Pattison e Ryan Gosling, que desta vez viaja a Cannes com seu primeiro filme como diretor.

Cannes terá um dia carregado de testosterona, com a presença – como parte de uma campanha publicitária – de Sylvester Stallone, Harrison Ford e Arnold Schwarzenegger, os astros de “Os Mercenários 3”. Rumores indicam que eles chegarão no domingo a este balneário da Côte d’Azur francesa… em um tanque.

Imagens gigantes dos atores já decoravam a fachada do hotel Carlton, de frente para o mar.


O ator e diretor americano Tommy Lee Jones, também muito viril em seu papel de cowboy melancólico, estará acompanhado por Hillary Swank, sua co-estrela, dirigida por ele em um dos filmes mais esperados da competição, “The Homesman”.

Entre os latino-americanos, é aguardada a presença do argentino Ricardo Darín, protagonista de “Relatos Salvajes”, obra-prima de Damián Szifrón e o único filme da região na disputa pela Palma de Ouro.

Ao subir as escadas do palácio, cobertas com um tapete vermelho de 60 metros de comprimento, os astros e cineastas serão recebidos pelo inesquecível Marcelo Mastroianni: um imenso cartaz do ator, olhando por trás de seus óculos escuros, no filme “8½”, reina sobre o Palácio dos Festivais.

Os convidados também serão recebidos por Gilles Jacob, que se despede da presidência do Festival nesta edição.

Já a presidência do Júri está a cargo da neozelandesa Jane Campion, a única diretora a ganhar uma Palma de Ouro e que se tornou conhecida na França nos anos 80, quando levou um de seus primeiros curtas-metragens a Cannes.

Outro momento forte desta 67ª edição será o duelo entre dois dos maiores cineastas britânicos, Kem Loach e Mike Leigh, ambos ganhadores de uma Palma de Ouro, e que voltam a competir este ano pelo prêmio.

Loach chega a Cannes com “Jimmy’s Hall”, sobre um líder comunista nos anos 30 na Irlanda, e Leigh, com “Mr Turner”, que conta a história do artista JMW Turner.

Alguns especialistas preveem que Loach vá anunciar que este filme será sua última obra de ficção.

Outro conhecido cineasta que inovou a linguagem da Sétima Arte, Jean-Luc Godard, de 83 anos, também desperta muita expectativa com seu filme “Adieu au langage”, que também compete pela Palma.

Cannes, que colocou no mapa cineastas que antes eram desconhecidos, oferece neste ano um filme da África, “Timbuktu”, de Abderrahmane Sissako, que também provoca expectativa.