Estreia hoje 3%, a primeira série brasileira original da Netflix

A partir desta sexta-feira (25), os usuários do serviço de streaming podem conferir os oito episódios que integram a primeira temporada da produção

No mesmo dia em que a espera pelos novos episódios de Gilmore Girls finalmente chega ao fim, a Netflix também estreia sua primeira série brasileira, 3%.

Com direção geral de César Charlone, indicado ao Oscar de Melhor Fotografia por Cidade de Deus, a primeira temporada da produção conta com oito episódios, todos disponíveis na plataforma a partir desta sexta-feira (25).

Já pensou viver em um Brasil do futuro, em que a desigualdade é oficializada e a meritocracia é vista como a salvação da população? Embora não pareça tão diferente assim da realidade em que vivemos, esse é o cenário de 3%.

Em um futuro distópico, os brasileiros estão divididos entre o Continente (onde vivem com toda a devastação e a falta de bens de primeira necessidade) e o Maralto (onde está o progresso, a vida é perfeita e ninguém é injustiçado).

Para sair do primeiro e alcançar o segundo, no entanto, é preciso superar o Processo, uma seleção rigorosa, baseada em provas físicas e psicológicas, pela qual só se pode passar aos 20 anos de idade. A grande questão é que apenas 3% desses jovens conseguirão.

Pedro Aguilera, criador da história, contou que o projeto nasceu na época da faculdade, como uma websérie, e foi inspirado em obras como Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley.

Com quatro episódios, ela foi publicada originalmente no Youtube, em 2009. Depois de anos, com apoio da Netflix, a produção realmente tomou forma e foi além.

As gravações foram feitas em São Paulo e foi preciso o uso de computação gráfica para chegar ao resultado final.

O time de protagonistas é grande e conta com Ezequiel (João Miguel), Michele (Bianca Comparato), Rafael (Rodolfo Valente), Joana (Vaneza Oliveira), Fernando (Michel Gomes) e Aline (Viviane Porto).

3-porcento2 Gravações foram feitas em São Paulo e foi preciso o uso de computação gráfica para chegar ao resultado final

Gravações foram feitas em São Paulo e foi preciso o uso de computação gráfica para chegar ao resultado final (Divulgação Netflix/MdeMulher)

“Me interessa poder descobrir personagens. Esse papel, por exemplo, eu nunca tinha feito. E é claro que eu tive que avaliar que essa é a primeira série brasileira da Netflix, ainda mais levando em conta o que ela representa no mundo hoje.

É um trabalho incrível, os personagens se contradizem em suas próprias histórias”, revelou João Miguel, que interpreta o chefe do Processo.

“Você é o criador do seu próprio mérito”, clama Ezequiel em determinado momento do primeiro episódio. E é assim que a meritocracia é colocada sob um olhar crítico em 3%.

“Quando a gente começou a discutir o projeto, mesmo sem nem ter o roteiro, a primeira coisa que me atraiu na série foi esse teor político, a mensagem que ela passa”, contou Bianca Comparato, uma das estrelas da trama.

“A série é uma alegoria em cima disso, um questionamento crítico sobre a nossa sociedade, que está julgando o outro o tempo todo”, completa a atriz.

Segundo Pedro Aguilera, o objetivo da equipe de criação foi dar ao espectador diferentes pontos de vista sobre as situações apresentadas na trama, para que ele crie a sua própria opinião sobre o que está assistindo.

Diversidade também foi um ponto importante na produção de 3%. “A ideia é mostrar a força de personagens aparentemente frágeis, com mulheres e um cadeirante como protagonistas”, opina Bianca.

As personagens de Viviane Porto e Zezé Motta fazem parte do seleto grupo do Processo e mostram como a mulher negra pode – e deve – ser valorizada em papéis além dos estereotipados.

“A gente não queria que o Maralto fosse machista e racista como é hoje, porque vivemos em um Brasil do futuro, como se já tivessem passado cerca de 100 anos. A gente quis mostrar que os problemas não foram todos resolvidos, mas que algumas coisas teriam melhorado um pouco, em um lento processo”, explicou o criador, Pedro Aguilera.

Essa matéria foi originalmente publicada no portal MdeMulher.

Comentários

Não é mais possível comentar nessa página.

  1. Cassio de Barros

    Realmente muito fraco, esperava bem mais. A ideia é boa, porem falham com louvor na execução. Pelo que entendi tentaram sintetizar uma critica social com elementos futurísticos pós apocalíptico, porem estes não obtiveram sucesso algum em nenhum dos aspectos. Tanto o enredo da serie quanto a interpretação dos personagens não passam empatia em momento algum deixando ausente qualquer carisma que poderia sentir por qualquer um deles. A personalidade dos personagens são piegas e pecam na falta de uma personalidade notável. Em suma, tentativa frustrada de se criar uma serie nacional com caraterísticas hollywoodianas……. esperava mais….muito mais, é muito ruim