Escritor britânico e Nobel de Literatura V.S. Naipaul morre aos 85 anos

Nascido em Trinidad e Tobago, Vidiadhar Surajprasad Naipaul escreveu mais de 30 livros e ganhou o prêmio Nobel de Literatura em 2001

O escritor britânico nascido em Trinidad e Tobago V.S. Naipaul, premiado com o Nobel de Literatura em 2001, faleceu aos 85 anos – anunciou sua família neste sábado (11).

“Foi um gigante em tudo o que conquistou e morreu cercado por aqueles que amava, tendo vivido uma vida cheia de uma criatividade maravilhosa e esforço”, declarou sua esposa, Lady Naipaul, em um comunicado.

Vidiadhar Surajprasad Naipaul escreveu mais de 30 livros e ganhou o prêmio Nobel de Literatura em 2001.

Nascido em Trinidad e Tobago, filho de um funcionário indiano, estudou Literatura inglesa na Universidade de Oxford, antes de se estabelecer na Inglaterra.

Passou muito tempo viajando e se tornou um símbolo do desenraizamento moderno.

Em seus primeiros livros, Naipaul se concentrou nas Índias Ocidentais, mas depois passou a escrever sobre países do mundo todo.

Ao lhe conceder o Nobel, a Academia Sueca afirmou que V.S. Naipaul tinha sido premiado por “ter misturado narração perspectiva e observação incorruptível em suas obras, que nos condenam a ver a presença da história esquecida”.

“V.S. Naipaul se sente confortável somente em seu interior, no seio de sua expressão inimitável”, afirmou a Academia.

Naipaul misturou ficção, não ficção e autobiografia sem fazer distinções.

Muitas de suas obras estudam os traumas das mudanças pós-coloniais.

Um de seus principais romances, “Uma casa para o Sr. Biswas”, trata da árdua tarefa dos migrantes indianos no Caribe para se integrarem à sociedade e, ao mesmo tempo, conservarem suas raízes.

Foi um dos primeiros agraciados com o Booker Prize, o principal prêmio literário do Reino Unido, em 1971, por “Num Estado livre”.

Polêmicas

Nos primeiros anos de sua carreira, Naipaul estava obcecado com problemas de dinheiro e com a solidão. Conheceu sua primeira mulher, Pat, em Oxford, e ela se tornou um apoio literário constante.

Faleceu em 1996 e, mais tarde, Naipaul revelou que sentia que havia acelerado sua morte, ao admitir publicamente, quando ela combatia um câncer, que havia procurado prostitutas.

“A confissão a consumiu. Acho que teve todas as recaídas e todo o resto depois disso… Poderia dizer que eu a matei”, desabafa o escritor na biografia do britânico Patrick French, “The World is What it is: The Authorized Biography of V.S. Naipaul”.

Durante toda sua carreira, expressou-se com franqueza e sem rodeios e chegou a comparar o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair com um pirata à frente de uma revolução socialista.

Falou mal das mulheres romancistas, descreveu os países pós-coloniais como sociedades pela metade e afirmou que o Islã escraviza e tenta acabar com outras culturas.

“Ss escritoras mulheres são diferentes, são bastante diferentes. Leio um fragmento de texto e, com apenas um, ou dois, parágrafos, sei se foi uma mulher, ou não que escreveu. Acho que isso [isso] não está no meu nível”, disse ao jornal “London Evening Standard” em 2011.

A causa disso – completou – é o “sentimentalismo, a visão estreita do mundo” que as mulheres têm.

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