Entre o marketing e os estouros: falta um ano para os Jogos de Tóquio

Comitê organizador realiza eventos para celebrar obras; em paralelo, manifestantes organizam protestos contra problemas que Jogos trazem para as cidades

Falta um ano para os jogos Olímpicos de Tóquio. Nesta quarta-feira, 24, no Japão, acontece uma série de eventos para mostrar os avanços nas obras e celebrar o que está sendo produzido pela organização.

Foi anunciado no início de julho que 90% das construções planejadas pelo país já estão completas, o que rendeu elogios dos representantes do Comitê Olímpico Internacional (COI) aos organizadores. No ano passado, o presidente da COI, Thomas Bach, já havia elogiado Tóquio ao dizer que nenhuma cidade anfitriã anterior havia sido tão bem preparada.

O entusiasmo da Comissão chegou também ao público. O presidente da Comissão Coordenadora da COI, John Coates, afirmou na terça-feira que há “um interesse sem precedentes” na venda de ingressos.

Em junho, quando as vendas foram abertas para os japoneses, 3,2 milhões de ingressos foram comprados. Além disso, 200.000 pessoas se candidataram para as 80.000 vagas como voluntários nos Jogos.

Os organizadores japoneses chamam os jogos de “Olimpíada da recuperação”, em referência ao desastre natural de 2011 que resultou no acidente nuclear em Fukushima.

A cidade será o local de onde a tocha olímpica saíra e onde acontecerão os jogos de beisebol e softball. Especialistas afirmam que para turistas e atletas, ficar na região por poucos dias é seguro, mas o projeto de tentar repovoar a região é perigoso.

A organização não é tão perfeita como os comitês querem demonstrar. Tsunekazu Takeda, que era o responsável japonês pelos Jogos até o final de junho, está sendo investigado por procuradores franceses há três anos por suspeita de ter comprado os votos para garantir os direitos de Tóquio como cidade anfitriã em 2020.

Fora as acusações de corrupção, o Comitê organizador japonês também enfrenta problemas orçamentários. Originalmente, o custo dos Jogos era estimado em 7,3 bilhões de dólares e deveria ser pago integralmente por patrocinadores.

Na prática, produzir “a Olimpíada mais inovadora da história” mais que triplicou os gastos para a casa dos 25 bilhões. No fim, o dinheiro do contribuinte teve que ser usado, então as futuras gerações, além de aproveitarem a infraestrutura esportiva desenvolvida para 2020 — como gosta de ressaltar o COI — terão também que pagar a conta.

A federação internacional de trabalhadores da construção civil publicou um relatório em maio mostrando que havia pedreiros e funcionários sendo forçados a trabalhar por até 28 dias consecutivos para entregar as obras no prazo. Metade dos trabalhadores envolvidos nas obras olímpicas japonesas sequer tinham contrato escrito de trabalho.

Em resposta a esses problemas estruturais de organização, nesta quarta-feira, estão programados protestos em Tóquio contra os Jogos.

Os grupos contra as Olimpíadas se uniram com manifestantes de antigas cidade sede, como Rio de Janeiro e Pyeongchang, na Coreia do Sul, e futuros anfitriões, como Los Angeles, para chamar atenção para os altos gastos, a expulsão de moradores residentes de suas casas e a corrupção que os Jogos trazem.

Protestos assim são cada vez mais frequentes e foram responsáveis pela retirada da candidatura de cidades como Hamburgo, Budapeste, Roma e Boston da disputa por sediar os Jogos de 2024.

Para minimizar os problemas futuros, o COI decidiu dividir as candidaturas restantes para os próximos anos. Assim, Paris será sede depois de Tóquio, em 2024, e Los Angeles em 2028.

O Comitê torce para que a boa imagem que tenta se propagar de Tóquio seja suficiente para garantir a manutenção do evento no futuro.