Dez anos após triunfo de Bigelow, mulheres buscam novo Oscar de direção

Oscar teve apenas 5 mulheres indicadas na categoria de melhor direção, e dessa pequena lista, somente a diretora de "Guerra ao Terror" levou a estatueta

Madri — Com 91 anos de história, o Oscar teve apenas cinco mulheres indicadas na categoria de melhor direção, e dessa pequena lista, somente Kathryn Bigelow levou a estatueta, por “Guerra ao Terror”, que completou dez anos de lançamento nos EUA e no Brasil.

O longa é um drama protagonizado por Jeremy Renner sobre soldados que desativam explosivos no Iraque e joga luz sobre a complexidade dessa função, enquanto escancara o absurdo da guerra.

O prêmio de melhor direção de Bigelow foi entregue pela cantora e compositora Barbra Streisand, que antes tinha lembrado ao público que existia a chance de, pela primeira vez, uma mulher fazer história nessa categoria. Ao abrir o envelope, a diva não se conteve – e disse: “o momento chegou” – ao anunciar o resultado.

No palco, Bigelow, que concorria, entre outros indicados, com o ex-marido James Cameron (com “Avatar”), classificou o momento como “único na vida”.

Aquele foi o ápice, até agora, da carreira de Bigelow, que também levou o Bafta, prêmio de melhor direção do Sindicato de Diretores e Produtores dos Estados Unidos, e o Critics’ Choice (maior associação de críticos do país) por esse filme, aprovado por unanimidade pela crítica, mas com pouco apelo entre o público (US$ 17 milhões nas bilheterias americanas).

Em 2012, ela dirigiu e produziu “A Hora Mais Escura”, indicado ao Oscar em cinco categorias, ganhando na de melhor edição de som, com Paul N. J. Ottosson.

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O trabalho mais recente de Bigelow é “Detroit em Rebelião” (2017), um drama sobre o racismo, que recriou os distúrbios que abalaram essa cidade americana em 1967. Por enquanto, a cineasta, que conta com títulos como “Caçadores de Emoção” (1991) e “Estranhos Prazeres” (1995), não tem mais projetos anunciados oficialmente.

Desde a consagração de Bigelow, só Greta Gerwig (“Lady Bird: A Hora de Voar”, 2017) entrou para o clube das mulheres indicadas na categoria de melhor direção. Antes, Lina Wertmüller (“Pasqualino Sete Belezas”, 1975), Jane Campion (“O Piano”, 1993) e Sofia Coppola (“Encontros e Desencontros”, 2003) também conseguiram a indicação.

As razões as constantes ausências de mulheres nos prêmios de direção são simples de explicar: elas dirigiram apenas 8% dos filmes de grande destaque de arrecadação do ano passado nos Estados Unidos (com base em um estudo do Center for the Study of Women in Television & Film – Centro para Estudo das Mulheres em Televisão e Cinema), e a maioria dos membros da banca da Academia está virando as costas para os títulos dirigidos por mulheres se não tiverem uma grande propaganda por trás.

Isso explica o fato de, na última edição da premiação, filmes muito bem recebido pela crítica, mas inseridos em circuitos independentes, como “Private Life”, de Tamara Jenkins; “Zama”; de Lucrecia Martel e com o brasileiro Matheus Nachtergaele no elenco; “Domando o Destino”, de Chloé Zhao; “Sem Rastros”, de Debra Granik, e “Você Nunca Esteve Realmente Aqui”, de Lynne Ramsay, tenham sido ignorados.

“Esta radical falta de representatividade é impossível de ser remediada com esforços voluntários de uns poucos indivíduos. Sem um grande esforço proveniente de estudos, agências de talento, sindicatos e associações, não veremos uma mudança significativa”, disse Martha Lauzen, autora do estudo.

Em sua opinião, a distância entre esses 8% e a igualdade é “simplesmente muito grande”. =