Coração de Chopin enterrado há 170 anos revela causa de sua morte

De acordo com cientistas, o músico faleceu por complicações derivadas de uma tuberculose

Varsóvia – Uma pesquisa feita com o coração de Frédéric Chopin, que há 170 anos é conservado em um frasco com álcool na Igreja da Santa Cruz, em Varsóvia, revelou que a morte do músico foi causada por complicações derivadas de uma tuberculose, de acordo com os cientistas que examinaram os restos mortais.

O atestado de óbito de Chopin, que nasceu em 1810 em Zelazowa Wola, na Polônia, e morreu em Paris com apenas 39 anos, aponta que ele faleceu por tuberculose, apesar de nos últimos tempos vários cientistas alegarem que a morte teve origem em uma fibrose cística, hipótese agora descartada.

Michal Witt, professor da Academia de Ciências da Polônia e responsável pela equipe encarregada da pesquisa, disse à Agência Efe que o compositor morreu por causa de uma pericardite – inflamação do tecido que cobre o coração – provavelmente provocada pela tuberculose. Segundo o pesquisador, o exame do frasco com o coração do músico foi feito há três anos, em segredo, e com todo o cuidado, conscientes da importância do momento, já que o pianista não é somente um renomado compositor, mas também um símbolo da Polônia.

“Não abrimos o frasco onde o coração está porque isso teria acabado com o conteúdo”, explicou Witt, que contou que, mesmo assim, foi possível fazer uma minuciosa análise do estado do órgão, muito maior do que o normal e coberto com uma substância esbranquiçada.

Os resultados preliminares foram divulgados pela revista científica “American Journal of Medicine” em outubro. Em fevereiro do ano que vem será publicado o artigo final.

A análise foi acertada com a Igreja Católica e com o Ministério da Cultura, inicialmente para determinar o estado de conservação do órgão, o único do pianista que ficou na Polônia junto com alguns fios de cabelo, já que Chopin foi enterrado no Cemitério do Père-Lachaise, em Paris. O coração foi levado a Varsóvia, a sua cidade natal, graças a um pedido expresso do pianista feito quando ele ainda estava vivo.

Lá permaneceu desde então, numa coluna da Igreja da Santa Cruz, na capital polonesa, com a inscrição: “Onde estiver o seu tesouro, lá também estará o seu coração”, em alusão à passagem bíblica Mateus 6:21.

O coração de Chopin só mudou de lugar durante o levante de Varsóvia contra a ocupação nazista, em 1944, quando a resistência polonesa o entregou a um oficial, que o manteve no quartel alemão até o fim da II Guerra Mundial, quando foi devolvido à Igreja.

Hoje, Fryderyk Franciszek Chopin – como o seu nome é escrito em polonês – é símbolo nacional, e seu amor pela Polônia é inegável, mas ele também é lembrado como alguém que viveu uma etapa crucial da vida em Paris e era filho de Nicolas Chopin, um francês expatriado.

Nascido no vilarejo pertencente à cidade de Sochaczew, o compositor viveu na Polônia até 1831, quando se mudou para Paris. Lá ele morou grande parte da vida, conheceu aquela que é considerada o seu grande amor, a romancista George Sand, e entrou para a História como um compositor admirado em todo o mundo. EFE

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