Conheça Gloria Allred, a advogada pesadelo de predadores sexuais

A advogada feminista mais famosa dos EUA foi coroada por um documentário intitulado "Seeing Allred" (vendo Allred), que estreia nesta sexta-feira no Netflix

Ela é, sem dúvidas, a advogada mais famosa dos Estados Unidos. Gloria Allred defende há 40 anos vítimas de violência sexual e de discriminações de todos os tipos.

Desde que dezenas de mulheres acusaram a estrela da TV Bill Cosby e o produtor de cinema Harvey Weinstein de abusos sexuais e estupros, Allred, que frequentemente foi ridicularizada por viver em frente às câmeras, tornou-se uma figura onipresente nos Estados Unidos.

Aos 76 anos, ela está no auge de sua carreira, coroada por um documentário intitulado “Seeing Allred” (vendo Allred), que estreia nesta sexta-feira no Netflix.

Sempre elegante, com penteado impecável e bem maquiada, a advogada representou a herdeira sequestrada Patty Hearst, a família de um menino que acusou Michael Jackson de abuso sexual e Nicole Brown Simpson, no julgamento contra O.J. Simpson.

Ela também defendeu uma mulher que acusou o presidente Donald Trump de ter-lhe beijado à força e uma das acusadoras do republicano Roy Moore de abusos sexuais de menores de idade.

“É um período animador, porque vemos mulheres deixando o medo para trás, encontrando sua voz, descobrindo quais direitos têm e, em muitos casos, reivindicando esses direitos”, comemora em entrevista à AFP.

“Nunca voltará a ser igual para as mulheres, pelo menos nos Estados Unidos”, avalia, referindo-se ao “tsunami” do caso Weinstein e dos movimentos #MeToo, ou Time’s Up.

Ícone gay

Allred acompanhou, em seu escritório em Los Angeles, vítimas de abusos sexuais de religiosos e perseguiu maridos que se negam a pagar pensões alimentícias. Até o político paquistanês, Imran Khan, foi seu alvo para reconhecer um filho de fora do casamento.

Além das lutas feministas, a ex-professora do bairro negro de Watts, em Los Angeles, também militou pelo casamento gay – no filme, ela aparece dançando nos trios da parada gay – e contra a discriminação racial.

Ela é conhecido sobretudo por suas entrevistas coletivas – uma faca de dois gumes, que lhe ajuda a conquistar a opinião pública, mas também provoca piadas e acusações de que ela busca, acima de tudo, seu sucesso.

Alguns de seus clientes foram acusados de buscar “grandes cheques”, encurralando celebridades, como a ex-namorada do bilionário Dodi Al Fayed, ou a atriz pornô que foi amante de Tiger Woods.

Allen também defendeu uma funcionária do Citigroup, argumentando que era discriminada no trabalho por ser “sexy demais”.

Normalmente, suas coletivas de imprensa acontecem numa sala especial em seu escritório. Os clientes costumam ler um comunicado, e muitas vezes vão às lágrimas, enquanto ela fica ao seu lado e afaga suas mãos ou ombros.

Ela defende o uso frequente das câmeras como uma oportunidade para seus clientes expressarem “sua verdade”, quando isso não é possível em um julgamento, ou os crimes prescreveram, embora a maioria deles prefira preservar sua privacidade e não ter seus nomes citados, garante ela.

“Vivemos em um culto às celebridades”, mas “as pessoas que não são conhecidas, as vítimas com quem ninguém se importa, além de suas famílias, merecem ter uma voz, têm direito a serem respeitadas”, insiste.

Escola dos golpes

As coletivas de imprensa, as manifestações e outras estratégias midiáticas permitem, às vezes, influenciar legisladores. Neste sentido, ela e seus clientes contribuíram para levantar debates que levaram ao fim da prescrição dos crime de estupro na Califórnia.

As piadas sobre seu ego (seu escritório é decorado com fotos e capas de revistas com sua imagem) ou afirmações de que ela ama ganhar dinheiro não a abalam. “Quando me atacam pessoalmente é porque não têm outro argumento válido”.

Em “Seeing Allred”, a letrada explica que seu trabalho é tudo em sua vida, uma tarefa intimamente pessoal.

Nascida na Filadélfia em 1941, aos 20 anos teve sua filha, Lisa Bloom – também advogada, gerou controvérsia ao defender Weinstein no começo do escândalo. Ela criou a filha sozinha depois de se separar de seu primeiro marido.

O segundo casamento, com William Allred, durou 19 anos e foi concluído com um divórcio muito duro.

O drama que pautou sua vida foi um estupro, sofrido aos 25 anos, quando estava de férias no México. Ela ficou grávida e fez um abordo clandestino, ameaçando sua vida. Ela conta que uma enfermeira então lhe disse: “Isso vai lhe dar uma lição”.

“Minha experiência pessoal foi, é claro, uma motivação, um motor na minha vontade de ajudar outras mulheres a obter justiça. O que sei hoje em dia e não aprendi na faculdade de Direito, aprendi graças ao que meu pai teria chamado de escola dos golpes”.

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