Conforto nos livros: dicas do que ler durante a quarentena

Reunimos novos títulos imperdíveis para quem se mantém em quarentena — que podem, claro, ser adquiridos pela internet

Metrópole à beira-mar, de Ruy Castro

Não é exagero afirmar que Ruy Castro pode escrever sobre qualquer assunto que o resultado será uma leitura prazerosa, não raro marcada por risadas genuínas. Em “Metrópole à beira-mar” (Companhia das Letras), o jornalista carrega os leitores para o Rio de Janeiro dos anos 1920, uma cidade em convulsão na imprensa, na literatura, na música popular, na ópera, no teatro, nas artes plásticas, no cinema, na caricatura, na praia, na ciência, na arquitetura, no futebol, na luta das mulheres, nos costumes, no sexo e nas drogas. “O que aconteceu no Rio entre o carnaval de 1919 e a Revolução de 30?”, pergunta o autor. “Tudo”, ele mesmo responde. Onde comprar: companhiadasletras.com.br

Metrópole à beira-mar, de Ruy Castro Metrópole à beira-mar, de Ruy Castro

Metrópole à beira-mar, de Ruy Castro (Companhia das Letras/Divulgação)

A Casa, de Chico Felitti

Autor de “Ricardo & Vânia” (Todavia), cujo personagem principal ganhou o ofensivo apelido de “Fofão da Augusta”, o jornalista Chico Felitti se debruça em “A Casa” (Todavia) sobre uma das figuras mais controversas a ocupar o noticiário brasileiro nos últimos anos, João de Deus. O obra conta como ele deixou o posto de carismático líder espiritual na pequena cidade de Abadiânia, no interior de Goiás, para colecionar aterradoras acusações de abuso e estupro. Depois de se enfurnar na seita por uma semana, o jornalista revela que atores foram contratados para se passar por doentes e uma escritora estrangeira pagou para acobertar abusos do líder no exterior. Lançamento: 6 de abril. Onde comprar: todavialivros.com.br

Vai Começar a Sessão, de Sérgio Augusto

A Casa, de Chico Felitti A Casa, de Chico Felitti

A Casa, de Chico Felitti (Todavia/Divulgação)

O ano era 1956. Então um adolescente de catorze anos, Sérgio Augusto folheou o “Correio da Manhã” que deixaram na porta da sua casa e deparou com uma longa crítica sobre um filme cujo nome esqueceu. Ao terminar a leitura do texto, assinado pelo crítico A. Moniz Vianna, concluiu: “É isso que eu quero fazer da vida”. Em “Vai Começar a Sessão” (Objetiva), Augusto registra o fascínio pela sétima arte e momentos decisivos de uma carreira dedicada a ela. O livro reúne 89 textos de Augusto sobre cinema e outros assuntos, publicados originalmente entre 2000 e 2010 no “Estadão”, em “O Pasquim21” e na revista “Florense”.

“Sérgio Augusto é, até onde sei, o único filho intelectual de um estranho casal formado pelo ‘Cahiers du Cinéma’ e a ‘The New Yorker’”, diz no prefácio o jornalista Paulo Roberto Pires. “Do lado francês, trouxe o culto ao cinema como uma mistura singular de razão e sensibilidade, um olho na peripécia intelectual, outro no prazer inegociável da sala escura. Dos parentes americanos, herdou a tradição de um tipo de ensaísmo jornalístico que combina clareza e sofisticação com uma assombrosa capacidade de processar referências”. Onde comprar: companhiadasletras.com.br

Vai Começar a Sessão, de Sérgio Augusto Vai Começar a Sessão, de Sérgio Augusto

Vai Começar a Sessão, de Sérgio Augusto (Objetiva/Divulgação)

Tormenta, de Thaís Oyama

Ex-redatora-chefe da revista “Veja”, Thaís Oyama se propôs reconstituir em “Tormenta” (Companhia das Letras) os atribulados primeiros 365 dias do governo de Jair Messias Bolsonaro. Mais do que isso: lançar luz sobre as crises, as intrigas e os segredos que marcaram o início do mandato do 38º presidente da República. Ela rememora ainda a trajetória do ex-capitão do Exército que chegou a defender publicamente a tortura e é autor de não mais que dois projetos de lei aprovados ao longo de 27 anos de mandato como deputado. A julgar pelas ofensas que Bolsonaro endereçou à jornalista, não devem faltar verdades no livro. Onde comprar: companhiadasletras.com.br

Tormenta, de Thaís Oyama Tormenta, de Thaís Oyama

Tormenta, de Thaís Oyama (Companhia das Letras/Divulgação)

Consenso e contrassenso, de André Lara Resende

Um dos formuladores do Plano Real, Lara Resende reflete nos ensaios reunidos em “Consenso e contrassenso” (Portfólio Penguin) sobre os principais ingredientes da crise que até há pouco ameaçava as democracias representativas ocidentais. Segundo ele, o colapso financeiro de 2008 deixou claro que o pensamento econômico dominante necessita ser reformulado — e a tese da moeda como mercadoria conduz grande parte dos países democráticos a um entendimento equivocado sobre a importância da disciplina fiscal e orçamentária. Diante da nova crise na qual o mundo se enredou, são reflexões necessárias e urgentes. Onde comprar: companhiadasletras.com.br

Consenso e contrassenso, de André Lara Resende Consenso e contrassenso, de André Lara Resende

Consenso e contrassenso, de André Lara Resende (Companhia das Letras/Divulgação)