Confira dez livros escritos por mulheres — não apenas para mulheres

Para lembrar da importância das mulheres na literatura mundial, EXAME selecionou dez livros que não podem faltar em sua coleção

São Paulo — Aproveitando a ‘comemoração’ do Dia Internacional das Mulheres, a EXAME selecionou dez obras para destacar a importância das mulheres na literatura mundial — liderada em sua maioria por homens. Uma história que está sendo mudada.

Confira a lista:

1.”O Conto da Aia”, de Margaret Atwood

Margaret Atwood Margaret Atwood

Margaret Atwood (Rosdiana Ciaravolo/Getty Images)

O clássico da escritora canadense abre a nossa lista de indicações. O livro (que em 2017 foi adaptada para uma série na plataforma de stream Hulu) fala sobre uma sociedade distópica na qual as mulheres perderam todos os seus direitos básicos depois de um golpe de estado que tornou o país (supostamente os Estados Unidos) na República de Gilead.

Por conta da baixa fertilidade que assola o mundo na narrativa da obra, as mulheres foram separadas em castas. São elas: Marthas, mulheres inférteis, responsáveis pela limpeza das casas; as Aias, mulheres férteis designadas às casas de comandantes ricos que não podem ter filhos; as Esposas, mulheres mais ricas e casadas com os comandantes e por fim, as Tias — mulheres mais velhas que são responsáveis pela preparação e treinamento das Aias.

2. “The Truth About Keeping Secrets”, de Savannah Brown (ainda sem tradução para o português)

Savannah Brown

 (Twitter/Reprodução)

O segundo livro publicado pela autora Savannah Brown, de 22 anos, conta a história de Sidney, uma adolescente que perdeu o pai para um acidente de carro, mas que considera ter se tratado de um crime. A obra de suspense para jovens adultos aborda assuntos como homofobia, luto e relacionamentos abusivos.

3. “Tudo O Que Nunca Contei”, de Celeste Ng

Celeste Ng Celeste Ng

Celeste Ng (Marla Aufmuth/Getty Images)

“Lydia está morta” — é assim que começa o livro da autora norte-americana. E a narrativa toda da obra gira em torno de saber o que realmente aconteceu com a adolescente de 16 anos. A obra propõe desvendar os segredos que a família carregou por todo o tempo de vida da garota e como é impossível realmente conhecer alguém.

O pai de Lydia é descendente de asiáticos. A mãe, uma típica americana com frustrações sobre sua carreira e escolhas. Em meio a tudo isso, estava a filha mais nova, pressionada de ambos os lados para ser popular, manter boas notas e optar por uma profissão que a mãe pretendia ter. O livro considerado um best-seller aborda também os estereótipos que cercam os asiáticos e o papel que muitas mulheres se vêm obrigadas a desempenhar dentro de suas casas.

4. “A Amiga Genial”, de Elena Ferrante

A obra é a primeira da tetralogia napolitana da misteriosa escritora italiana Elena Ferrante (misteriosa porque, até hoje, ninguém sabe direito quem ela é de fato) e dá o pontapé inicial nas histórias sobre a amizade de Rafaella Cerulo e Elena Greco na Itália pós-guerra. Todos os sete livros constroem a narrativa das duas amigas da infância até a velhice.

5. “O Ódio que Você Semeia”, de Angie Thomas

O assunto do livro é a brutalidade policial norte-americana e o racismo e tudo começa quando, ao voltar de uma festa, o amigo de infância de Starr é baleado por um policial que confunde uma escova de cabelo com uma arma durante um ‘batida policial’.

Primeiro lugar na lista do jornal norte-americano New York Times, o roteiro traz um debate bastante necessário nos dias atuais.

6. “Americanah”, de Chimamanda Ngozi Adichie

Raça, identidade, gênero: estes são três dos tópicos abordados por Chimamanda na obra lançada em 2013. A história do romance de Ifemelu e Obinze se passa entre Nigéria e Estados Unidos, perdurando durante um governo militar.

7. “Minha História”, de Michelle Obama

Michelle Obama Michelle Obama descreve a vida de primeira-dama com um misto de deslumbramento, apreensão e senso de responsabilidade. Foto | Divulgação /

Michelle Obama descreve a vida de primeira-dama com um misto de deslumbramento, apreensão e senso de responsabilidade. Foto | Divulgação / (Divulgação livro "Minha História"/Divulgação)

Michelle Obama foi a primeira mulher negra a se tornar primeira-dama, e além do posto de esposa de Barack Obama (que foi o primeiro presidente negro dos EUA), ela se tornou uma voz reconhecida para mulheres e meninas norte-americanas.

No livro, Michelle revisita algumas de suas memórias: da infância até a vida adulta, passando por momentos nos quais ela teve de equilibrar a maternidade e a vida como executiva até os anos que passou na Casa Branca.

8. “Quem tem medo do feminismo negro?” de Djamila Ribeiro

Bell Puã, Djamila Ribeiro e Selva Almada participam da mesa Amada vida na Flip 2018.

Bell Puã, Djamila Ribeiro e Selva Almada participam da mesa Amada vida na Flip 2018. (Walter Craveiro/Agência Brasil)

Considerado como uma autobiografia, o livro de Djamila Ribeiro é também uma coletânea de artigos que a autora publicou em um jornal brasileiro entre nos anos de 2014 e 2017. Os textos abordam sua infância, adolescência e os silenciamentos aos quais foi submetida por ser uma mulher negra. Além disso, o livro fala sobre mobilizações sociais nas redes, cotas e discute obras chave para o feminismo.

9. “A Guerra Não Tem Rosto de Mulher”, de Svetlana Aleksiévitch

As histórias das mulheres que estiveram no front do Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial se tornam o foco neste livro que fala sobre angústia, frio, fome, violência sexual, misoginia e, entre outras coisas, sobre a Guerra. Livros do gênero são quase sempre contados de um ponto de vista masculino, mas a obra de Svetlana é um ponto fora da curva.

10. “Eu Sou Malala”, de Malala Yousafzai

Uma das vozes mais poderosas da juventude atual, a ganhadora do prêmio Nobel, Malala Yousafzai, fala sobre sua vida e os desafios que teve de enfrentar. A paquistanesa foi criada em uma cultura que prega que nascer mulher não é bom e, aos 12 anos, escreveu um blog para a BBC detalhando como era a vida dos paquistaneses durante a ocupação talibã. Desde então, ela tem sido uma das principais vozes do oriente médio a lutar contra a misoginia e o machismo, que impedem que garotas como ela frequentem escolas, trabalhem e até mesmo vivam livremente.