Com apenas uma medalha, Portugal pensa rendimento esportivo

Apesar das críticas, Portugal manteve a média de uma medalha em suas participações olímpicas

Lisboa – A participação da equipe olímpica portuguesa nos Jogos de Londres terminou com um sabor amargo após a conquista de uma única medalha, o que reabriu no país o debate sobre como melhorar o rendimento nestas competições.

A alegria pela prata obtida no remo por Emanuel Silva e Tiago Pimenta, na prova dos 1.000 metros do caiaque duplo (K2), assim como as nove participações em finais, contrasta com o balanço que os analistas, o público em geral e alguns representantes políticos fizeram dos Jogos.

Apesar das críticas, Portugal manteve a média de uma medalha em suas participações olímpicas. No continente europeu, o país só teve desempenho melhor que países como Chipre, Luxemburgo e Malta, números que para alguns não correspondem com o real potencial luso.

O primeiro a abrir a “caixa de pandora” foi o presidente do Comitê Olímpico de Portugal (COP), Vicente Moura, que falou na sexta-feira, em tom irônico, sobre a possibilidade de se nacionalizar atletas estrangeiros.

“Se queremos dez ou 11 medalhas rapidamente, temos que mudar de modelo. Há muitos atletas africanos que querem vir para a Europa e assim as medalhas aparecem”, disse em declarações aos jornalistas.

Vicente Moura, que já anunciou que não tentará a reeleição, pôs o dedo na ferida ao afirmar que os resultados só vão melhorar se forem encontrados “novos caminhos para fazer a população portuguesa praticar esportes”.

O país, de 10,5 milhões de habitantes e que vive a maior crise econômica de sua história recente, conta com cerca de 400 mil atletas federados, embora, de acordo com o dirigente, “nem metade destes praticam esporte na realidade”.


O presidente do COP lamentou a ausência da prática esportiva nas escolas, e alertou que sem uma “mudança de paradigma” no sistema português, o qual chamou de obsoleto, o país corre o risco de ter um papel insignificante nos Jogos do Rio, em 2016.

Hoje mesmo, a imprensa local lembrou que o Estado destinou 15 milhões de euros à preparação e participação de seus atletas nos Jogos Olímpicos de Londres, 3 milhões a mais que em Pequim-2008, onde obteve duas medalhas, e que em Atenas-2004, em que conquistou três medalhas.

No fundo da questão se encontra o protagonismo do futebol em Portugal, que recebe toda a atenção tanto do público como da imprensa.

Esportes majoritários em países vizinhos, como o basquete, quase não despertam interesse, o que, somado à ausência de figuras de renome internacional em esportes como o tênis, o automobilismo, o handebol e o ciclismo, dificultam no crescimento de praticantes e torcedores.

Já o chefe da missão portuguesa em Londres, Mário Santos, se mostrou mais otimista e classificou como “muito positivo” o resultado registrado pelo país neste ano, pois corresponde com a realidade e o nível da prática esportiva no país.

A participação portuguesa nos Jogos Olímpicos também teve episódios polêmicos, como os casos da velejadora brasileira naturalizada Carolina Borges, que abandonou a delegação horas antes de competir denunciando falta de apoio financeiro e moral, e do treinador da equipe de remo Mark Emke, que declarou não receber salário do COP há seis meses.