Clima quente, vinho fresco

Brancos, rosados e até tintos que harmonizam com o verão eterno do Brasil

Se o verão um dia acaba no Sul , no resto do país ele dura o ano todo. A temperatura de Fortaleza ou de Goiânia pede vi­­­nhos mais leves e refrescantes que o malbec argentino e o ca­­­­ber­­­net sau­­­­­­­vignon chileno que vendem fei­­­­­to água nos restaurantes e su­­­­­per­­­­­­mer­­­­­­cados Brasil adentro. Bran­­­­­cos são uma ótima pedida (embora nem sempre), mas há alternativas bem atraentes de espumantes, ro­­­­­sados e até tintos. Nas próximas pá­­­­­­­­­­­ginas, nós apresentamos um pe­­­­­­queno guia para você aproveitar me­­­­­­­lhor o vi­­­­­nho nos dias quentes. E sele­­­­cio­­­­­na­­­­­mos – com a consultoria da som­­­­­melière Alexandra Corvo, da escola Ci­­­­­clo das Vinhas – os ró­­­­­­­tulos que você deve procurar para se refres­­­­­­car e gastar bem o seu dinheiro.

1) Gramona Allegro Reserva Brut R$ 84, na Casa Flora, tel.: (11) 2842-5199
2) Reserva de la Música Brut Nature 2008 US$ 50, em mistral.com.br
3) Sumarroca Brut Reserva 2009 R$ 67, em venewsbebidas.com.br
4) Don Román Brut R$ 42,50, na Casa Flora, tel.: (11) 2842-5199

CAVA
Gosta de espumante e quer ir além do Pro­­­­­secco e dos nacionais? Invista em al­­­­­­­­­gumas garrafas de cava, o borbulhan­­­­­­­­te espanhol, bom na qualidade e no pre­­­ço. Esse vinho, feito com o mesmo processo utilizado em Champagne – se­­­gun­­­­­da fermentação na garrafa – vem ge­­­­­­­ralmente da Catalunha. As principais uvas usadas para fazer cava são as na­­­­­tivas macabeo (branca e neutra), xa­­­­rel-lo e parellada (brancas e aromáticas), além das internacionais chardonnay (branca) e pinot noir (tinta, usada principalmente nos vinhos rosados).
PARA COMER
Quase tudo, do sushi ao churrasco (mais pela ocasião festiva que pela comida).

GLOSSÁRIO DE ESPUMANTE

DOÇURA
Do mais seco ao mais doce, os espumantes recebem esta classificação: brut nature (zéro dosage), extra brut, brut, extra sec, sec, demi sec e doux.

Champanhe
Vinho produzido na região francesa de Champagne. Como antigamente todo espumante levava esse nome, ainda hoje alguns rótulos americanos e o brasileiro Peterlongo têm o direito legal de usá-lo, apesar de possuírem outras características

Prosecco
Desde 2009, o nome só pode aparecer nos rótulos dos vinhos produzidos numa região delimitada do Vêneto, Itália. A variedade de uva que antes se chamava prosecco em vários lugares do mundo passou a ser denominada glera.

CHARMAT
Método em que a segunda fermentação ocorre em grandes tanques metálicos. Resulta em vinhos frescos.

Método tradicional
Também chamado método clássico. aplica-se aos espumantes refermentados na própria garrafa.

1) Noe Orvieto Secco 2010 – US$ 35,50, em mistral.com.br
2) Villa Cardeto Bianco 2011 – R$ 39,50, em decanter.com.br
3) Orvieto Classico San Marco 2011 R$ 20, na Casa Flora, tel.: (11) 2842-5199

Parece, mas não é
Enganos comuns na hora de escolher vinhos

IDADE
Velho não significa melhor. Para quem busca algo fresco – a própria palavra dá a pista –, funciona justamente ao contrário. Esses vinhos estão em sua melhor forma assim que são engarrafados. Fuja de safras anteriores a 2008.

PREÇO
Não abra a carteira facilmente: vinhos caros geralmente têm corpo e estrutura para resistir a muitos anos de adega. São o oposto do que se procura no calor. Na linha de rótulos de um mesmo produtor, os mais simples e baratos quase sempre também são os mais leves.

LEVE X SUAVE
Não confunda leve com suave. A leveza do vinho está relacionada ao corpo da bebida – a concentração de sabores e o “peso” do líquido na boca. Suave é uma palavra usada pela indústria para designar vinhos adocicados de qualidade inferior.

COR
Nossa mente associa automaticamente as bebidas claras com leveza e as escuras com concentração. Infelizmente, isso não funciona
com o vinho.

1) Palácio da Brejoeira 2010 (PORTUGAL) R$ 83, em santaluzia.com.br
2) Alvarinho Deu-la-Deu 2011 (Espanha) R$ 50, em santaluzia.com.br
3) Martín Códax 2010 (Espanha) R$ 88, em peninsulavinhos.com.br
4) Pionero Maccerato 2010 (Espanha) R$ 70, em wine.com.br
5) Bouza 2011 (Uruguai) R$ 93,50, em decanter.com.br
6) Morgadio da Torre (Portugal) R$ 84, em zahil.com.br
7) Lagar de Cervera 2010 (Espanha) R$ 109, em zahil.com.br

ALBARIÑO E ALVARINHO
A mesma uva, com o mesmo nome – mas sotaques ligeiramente diferentes –, habita a área fronteiriça do norte da Espanha (Galícia) e de Portugal (Minho). Cultivada numa zona de clima frio e muito chuvoso, a albariño/alvarinho resulta em vinhos muito secos, frescos e aromáticos. Na Espanha, a varieda­­­­­­­­­de domina praticamente todos os rótulos com a denominação de origem Rías Baixas. Em Portugal, pode aparecer sozinha ou em cortes com outras uvas (co­­­­­­­­­mo a loureiro e a arinto) nas bebidas com denominação Vinho Verde. A va­­­­­­­riedade também é plantada com bom resultado no Novo Mundo.

PARA COMER:
Ostras, vieiras e outros frutos do mar.

1) Terra Amata 2011 (provença) R$ 73,30, em decanter.com.br
2) Les Hauts de Janeil Rosé de Syrah 2011 (LANGUEDOC) R$ 49, em zahil.com.br
3) Haedus 2011 (PROVENÇA) R$ 73, em zahil.com.br
4) Chateau des Sarrins 2011 (Provença) R$ 89, em tastevin.com.br
5) Château Réal Martin Perle de Rosé 2010 (PROVENÇA) R$ 78, em tastevin.com.br

ROSADOS DO SUL DA FRANÇA
Os melhores vinhos rosados do mundo são feitos na área próxima à costa mediterrânea da França, úni­­­­ca área do país em que o clima é ensolarado a maior parte do ano. A maioria desses rosés – delicados e secos – vem da Provença (mais co­­­nhecida pelo nome francês, Provence), região que inclui as ci­­­­­­dades de Marselha e St. Tropez. As principais castas cultivadas por lá são as tintas syrah, mourvèdre, cinsault e grenache, que são maceradas com a casca só até soltarem um pouquinho do pigmento. Os vinhos do Languedoc também merecem atenção.

PARA COMER:
Os rosés são bastante versáteis, dificilmente vão mal com alguma comida. Uma combinação ótima é o camarão refogado no azeite de oliva com alho.

COM QUE UVA EU VOU?

➜ Espumantes
BEBA: espumantes brut, ex­­­­­tra brut ou brut nature (veja glossário). Bebidas feitas apenas com uvas brancas (chamadas blanc de blancs) costumam ser mais leves. Se for de prosecco, procure um que tenha a DOCG Prosecco de Conegliano-Val­­dob­­­­biadene es­­­tam­­­­­­­pada no rótulo.
EVITE: não vale a pena in­­­­vestir em um champanhe para aplacar o calor – em especial os mais caros, que são estruturados e complexos.

➜ BRANCOS
BEBA: bebidas frescas, jo­­­­­vens, de acidez vibrante. Vinho Ver­­­­de português, Chablis, muscadet, riesling seco, pinot grigio (tam­­­­­­bém chamada pinot gris), sauvignon blanc.
EVITE: chardonnay envelhecido em barrica de carvalho, que fica “pesado” e com aromas de manteiga e baunilha.

➜ ROSADOS
BEBA: rosés europeus, principalmente os franceses, que são bem leves.
EVITE: os encorpados rosados do Chile e da Austrália.

➜ TINTOS
BEBA: vinhos de corpo leve, como boa parte dos feitos com a uva pinot noir. Outros exemplos: beaujolais (francês, feito com a uva gamay) e barbera (variedade cultivada principalmente no norte da Itália).
EVITE: cabernet sauvignon e qualquer coisa envelhecida em barril. Os vinhos mais caros, preparados para ser guardados por muitos anos, costumam ser densos e pesados.

VINHOS DO PACÍFICO
As águas frias do Oceano Pacífico afetam o cultivo de uvas em várias partes do mundo. A in­­­­­fluência marítima, que reduz a temperatura nos vinhedos, gera microclimas em zonas mui­­­­­to específicas, como Marlborough (Nova Ze­­­­lândia), Columbia Valley (Washington, Estados Unidos) e Leyda (Chile). Nesses lugares, tanto os vinhos brancos (de sauvignon blanc e riesling, principalmente) quanto os tintos (mais o pinot noir, mas também merlot e syrah) têm frescor, leveza e delicadeza excepcionais.

PARA COMER:
Os brancos vão bem com peixes e pratos condimentados da culinária tailandesa; com os tintos, tente carne de porco ou atum grelhado.

1) Aylin Sauvignon Blanc 2011 (Leyda, Chile) R$ 53,60, em premiumwines.com.br
2) Hunter’s Riesling 2011 (MarlborougH, Nova Zelândia) R$100, em premiumwines.com.br
3) Brookfields Merlot 2010 (Hawke’s Bay, Nova Zelândia) R$ 103,60, em premiumwines.com.br
4) Columbia Crest Two Vines Syrah 2008 (Columbia Valley, Estados Unidos) R$ 64, em lojawinebrands.com.br
5) La Bourgeoisie Merlot 2009 (Columbia Valley, Estados Unidos ) US$ 46, em mistral.com.br
6) Amayna Pinot Noir 2010 (Leyda, Chile) US$ 58,90, em mistral.com.br