Cinco promessas do cinema presentes no Festival de Cannes

Junto a pesos pesados como Quentin Tarantino, Terrence Malick, Ken Loach e Pedro Almodóvar, outros diretores e intérpretes despontam no Festival

Junto a pesos pesados como Quentin Tarantino, Terrence Malick, Ken Loach e Pedro Almodóvar, outros diretores e intérpretes poderiam despontar no Festival de Cannes, cuja missão é também servir de trampolim para novos talentos.

– Robert Eggers –

Seu primeiro filme, “A Bruxa” levou o prêmio de melhor direção no Festival de Sundance de 2015 e ganhou uma aura de novo clássico do cinema do terror. Desde então, Eggers, de 35 anos, se limitou a fazer um modesto remake de “Nosferatu”.

Seu retorno vem com “The Lighthouse”, projeto relativamente secreto com Robert Pattinson e Willem Dafoe, selecionado na seção independente da Quinzena de Realizadores.

O filme, em preto e branco, se passa no século XX, em uma ilha misteriosa da Nova Escócia, onde os dois protagonistas são guardiães de um farol.

É esperado como novo sucesso da produtora independente A24 (“Moonlight”, “Projeto Flórida”).

– Jessica Hausner –

A ex-aluna de Michael Haneke, Jessica Hausner é uma das quatro diretoras na competição pela Palma de Ouro.

A austríaca de 46 anos imagina um futuro próximo marcado pelas manipulações genáticas em “O Pequeno Joe”, filme com o qual espera que volta a imprimir seu olhar frio e mordaz sobre a natureza humana.

Antes desse primeiro longa-metragem em inglês, essa ex-estudante de piscologia criou sua própria produtora, a Coop 99, e fez cinco filmes, entre eles “Lovely Rita”, que fala sobre uma adolescente à deriva, “Lourdes”, em que se questiona sobre os milagres da fé, e “Amour Fou”, apresentado em Cannes, sobre o suicídio do poeta Heinrich von Kleist.

– Alejo Moguillansky –

O argentino Alejo Moguillansky estará presente na seção da Quinzena dos Realizadores com a comédia política “Por Dinheiro”, sobre o lugar ocupado por artistas na sociedade contemporânea e baseada na obra de teatro homônima.

É a primeira vez que esse membro do coletivo de cineastas El Pampero Cine, dedicado a explorar novas formas cinematográficas na Argentina, da qual também faz parte Mariano Llinás (“A Flor”), vai participar do Festival de Cannes.

Na filmografia de Moguillansky se destaca “A Vendedora de Fósforos”, “Castro” e “O Escaravelho de Ouro”, em que contrapõe civilizações e culturas, cineastas europeus frente a latino-americanos.

– Waad al-Kateab –

Seu documentário “Para Sama”, codirigido por Edward Watts e programado para seleção oficial, “causará sem dúvida sensação, segundo a organização do Festival de Cannes.

Sama é a filha de Waad al-Kateab, nascida em 2016 na cidade síria de Aleppo. A diretora começou a filmar o documentário em 2011, quando ainda era uma estudante, para “explicar” à sua pequena porque, junto a seu marido, decidiu permanecer no país durante o período mais sangrento do conflito sírio.

“Foi uma decisão extremamente difícil”, disse Kateab, que filmou a guerra quando estava grávida e com Sama nos braços, quando em Aleppo sobraram apenas poucas famílias de sobreviventes antes que a cidade caísse nas mãos das forças de Bashar al-Assad em dezembro de 2016.

Seus vídeos no interior de um hospital de Aleppo após os sangrentos bombardeios do conflito renderam vários prêmios. Atualmente, Kateab vive em Londres e trabalha para o canal de TV Channel 4.

– Camila Morrone –

A atriz e modelo argentina, namorada de Leonardo DiCaprio, vai estrear em Cannes protagonizando o filme americano “Mickey and the bear”, apresentado na seção ACID.

Nesse longa-metragem, Morrone, de 21 anos, desempenha o papel da filha de um veterano de guerra do Iraque viciado em ópio.

Morrone é filha de Lucia Solá, estrela da TV e ex-mulher de Al Pacino, que também estará no festival como coadjuvante de “Era uma vez em Hollywood”, de Quentin Tarantino.