3 restaurantes imperdíveis para conhecer em São Paulo

No próximo mês, São Paulo receberá mais de 900 mil fãs da cultura em sua 33ª Bienal, a segunda mais antiga do mundo. Tomara que eles estejam com fome

No próximo mês, São Paulo receberá mais de 900.000 fãs da cultura em sua 33ª Bienal, a segunda mais antiga bienal de arte do mundo, depois de Veneza.

Tomara que eles estejam com fome.

Todas as qualidades que garantem a popularidade do polo artístico do Brasil – sofisticação, experimentação e mistura do internacional com o local – podem ser aplicadas à sua cena gastronômica.

Um exemplo é o Futuro Refeitório, um restaurante novo e ambicioso com cozinha aberta e letreiro de neon em galpões que funcionavam como estacionamento. Dependendo do momento, o lugar funciona como padaria, torrador de café, restaurante ou bar de coquetéis – mas o Refeitório ganha facilmente o título de melhor brunch de São Paulo. Nas manhãs de domingo, os paulistas esperam durante uma hora na fila para pedir uma panqueca de doce de leite, nutella caseira e “cruffins” de canela recém-saídos do forno.

Se tivesse aberto há alguns anos, o Refeitório teria fracassado. Ainda no início dos anos 2000, a cena gastronômica de São Paulo era dominada por cardápios pesados, indulgentes e de estilo europeu, focados em caviar, foie gras e lagosta. “Havia muitas massas e risotos feitos com arroz [do tipo errado], e o público elogiava muito”, disse Rodrigo Caetano, editor do Gastronomix, um diretório brasileiro de alimentos e bebidas.

A globalização pós-recessão trouxe certa sofisticação aos paladares, mas a recente instabilidade econômica teve um efeito igualmente profundo na cena culinária local. Por isso, os chefs da cidade apelaram para a criatividade e se voltaram para as iguarias de seu próprio quintal.

“O povo brasileiro tem orgulho da própria cultura porque tem acesso a ingredientes que só se consegue aqui”, disse Alex Atala, cujo restaurante, D.O.M., abriu caminho para a alta culinária brasileira. Desde 2014, ele vem democratizando essa filosofia no Mercado Municipal de Pinheiros, de 40 anos, que ele reformou para apresentar ingredientes amazônicos e brasileiros obscuros, como baunilha do cerrado, pequi e vinagre de caju.

Adicione uma colcha de retalhos de comunidades de imigrantes vibrantes – principalmente árabe, japonesa e libanesa – e um aumento impressionante do número de escolas de culinária, e São Paulo está no coração da revolução alimentar do Brasil. Veja onde fazer suas reservas.

Balaio IMS

Balaio IMS Balaio IMS

Balaio IMS (Balaio IMS/ Facebook/Divulgação)

Dentro do Instituto Moreira Salles, um centro cultural revestido de vidro na Avenida Paulista, você encontrará um oásis culinário que se concentra em versões mais leves de clássicos brasileiros. A estrela do show é a moqueca vegana do chef Rodrigo Oliveira. Tradicionalmente um ensopado de peixe cozido em um caldo picante de azeite de dendê, esta versão sem carne é preparada com palmito, banana e caju desidratado, por seu vigor e sabor. Peça-a para compartilhar, junto com pastéis fritos recheados com mostarda e queijo canastra.

Futuro Refeitório

Futuro Refeitório Futuro Refeitório

Futuro Refeitório (Futuro Refeitório/Divulgação)

As proprietárias (e irmãs) Karina e Gabriela Barretto precisaram de dois anos para garantir o aluguel desta padaria incomum e com um charme industrial, que transformou uma garagem negligenciada em um elegante refeitório. Vá para a primeira refeição do dia. Karina sugere combinar diversos pratos, começando com bolos e pão de banana com nozes, e depois passando aos sanduíches feitos com pão de brioche caseiro, queijo orgânico e ovos perfeitamente cremosos. Não se esqueça do café Meia-Noite, torrado na casa.

D.O.M.

D.O.M D.O.M

D.O.M (D.O.M/Divulgação)

Fazer um tour gastronômico por São Paulo e não esbanjar no cardápio de degustação de 14 pratos do D.O.M. é como ir a Roma e não comer pizza. Atala é famoso por usar de modo criativo ingredientes amazônicos difíceis de encontrar, como cogumelos Yanomami e palmitos gigantescos, que ele transforma em fios de fettuccine condimentados com furikake de camarão seco. Embora seja menos comentado, o uso que ele faz dos frutos do mar brasileiros é igualmente notável. Um exemplo são as ostras de Santa Catarina do D.O.M: elas são fritas, misturadas com pérolas de tapioca translúcidas e colocadas dentro de uma delicada peça de porcelana. “Fazer com que as pessoas saiam de sua zona de conforto… [é meu] principal objetivo no D.O.M.”, disse o chef à Bloomberg. Nisso, e em muitos outros aspectos, ele cumpre a promessa.