Brasil ainda está à procura do início de jogo perfeito

Seleção voltou a ter um início de jogo tímido, assim como no jogo de abertura da Copa, e deixou adversário levar perigo

Fortaleza – Com uma pressão intensa desde o apito inicial, o Brasil abre o placar com menos de três minutos de bola rolando.

O adversário mal teve tempo de respirar, já precisa correr atrás do resultado e acaba sendo presa fácil da saída de bola rápida e dos contra-ataques rápidos da seleção.

Foi assim que os comandados do técnico Luiz Felipe Scolari atropelaram a atual campeã mundial Espanha por 3 a 0 na final da Copa das Confederações há pouco mais de um ano, no Maracanã.

Nas duas primeira partidas que disputou na Copa do Mundo, porém, a seleção tem mostrado certa dificuldade para se impor no início da partida, apesar do apoio incondicional da torcida, que canta o hino nacional a plenos pulmões.

Em 2013, o fato de ouvir o público cantando o hino transformava mais do que nunca os jogadores em guerreiros em campo. Um ano depois, a ansiedade e a pressão de buscar o hexa em casa impediram a equipe de repetir os inícios de jogo arrasadores.

Em três das cinco partidas que disputou na Copa das Confederações, o Brasil abriu o placar três vezes nos primeiros dez minutos (contra Japão, México e Espanha). Em amistosos, o Brasil também mostrava a mesma qualidade, agredindo o adversário desde o pontapé inicial.

Na estreia, contra a Croácia, aconteceu o contrário: sofreu um gol contra de Marcelo logo aos dez minutos de jogo, mas mostrou poder de reação para vencer de virada por 3 a 1, em São Paulo.

“Demoramos a entrar na partida, por causa do estresse, estávamos ansiosos”, admitiu Neymar depois daquele jogo.

Dosar o esforço

Na última terça-feira, contra o México, a seleção voltou a ter um início de jogo tímido, deixando até o adversário levar perigo em bolas paradas. Houve até uma primeira chance de gol aos 10, mas Fred desperdiçou. Em seguida, chegou até a levar um sufoco, quando “El Tri” chegou com perigo duas vezes em dois minutos, aos 22 e aos 24, em jogada individual de Peralta e em chute de fora da área de Herrera.

Foi apenas aos 25 que a seleção realmente começou a entrar na partida, quando Neymar quase abriu o placar de cabeça, mas o goleiro Ochoa fez uma defesa milagrosa que lembrou a do inglês Gordon Banks em outra cabeçada de um camisa 10 do Brasil, Pelé, na Copa do Mundo de 1970.


“Nos primeiros 30 minutos, tivemos várias chances de fazer o gol, mas não saiu, enquanto na Copa das Confederações, conseguimos marcar rápido. Cada um procurou dar o seu melhor, mas o goleiro fez grandes defesas”, lembrou Oscar.

Já Paulinho explicou que a equipe preferia agora dosar o esforço, sem necessariamente apostar todas as fichas num início arrasador.

“Não tem como pressionar os 90 minutos, então vai ter momentos da partida em que vai dar para pressionar e outros não então nos analisamos o momento certo de pressionar o adversário”, afirmou.

É possível, portanto, que essa falta de pegada seja causada pelo desgaste físico dos jogadores. Essa deficiência também foi observada nos dois últimas amistosos, contra Panamá (5-0) e Sérvia (1-0).

O próprio Paulinho, que teve um segundo semestre complicado com o Tottenham, não mostrou o fôlego do ano passado, deixando Luiz Gustavo muito sozinho na marcação dos meias adversários.

“Surpreendidos”

“Felipão não nos pediu para ficar atrás, muito pelo contrário. Determinou que a gente mantivesse o que a gente tem de bom. Infelizmente, no começo de jogo contra a Croácia não aconteceu”, lamentou Thiago Silva.

“Nós não tivemos os primeiros 15 minutos de pressão sobre o adversário que costumamos ter, ficamos um pouco surpreendidos”, confessou por sua vez Felipão na mesma ocasião.

Apesar desses dois avisos, o Brasil voltou a decepcionar, mostrando-se incapaz de envolver mexicanos, que ficaram muito bem postados em campo. Fred e Oscar foram totalmente anulados e a defesa mexicana, que usou uma linha de cinco, conteve muito bem as subidas ao ataque dos laterais Daniel Alves e Marcelo.

David Luiz, por sua vez, acha que este foi o momento certo para cometer erros que ainda podem ser solucionados.

“A gente tem vontade de crescer e aprender sempre, então isso nos dá bagagem para o futuro. De repente, com três jogos muito fáceis na primeira fase, três vitórias por 3 a 0,, podemos ter um jogo mais difícil nas oitavas de final, perder por 1-0 e vai embora para casa”, avisou o zagueiro.

O Brasil terá mais uma oportunidade de convencer no dia 23 de junho contra Camarões, em Brasília, em jogo que definirá a classificação para as oitavas. Para conseguir a vitória e a vaga, precisará buscar novamente o início de jogo perfeito.