Brad Pitt define como “criminosos” os responsáveis por crise

"Estava começando a acontecer e muitos americanos estavam revoltados por isso. Falo de mim, eu estava com muita raiva do assunto", disse o ator

Paris – Brad Pitt, que protagoniza “Killing Them Softly” uma história de matadores de aluguel ambientada em plena crise do subprime nos Estados Unidos, explica em entrevista à Agência Efe que os responsáveis pelo escândalo foram “criminosos”.

A fita, dirigida pelo neozelandês Andrew Dominik, traz uma trama de gângsteres contada em tom de humor negro e na qual a crise das hipotecas explica e define seus personagens, e permitiu Pitt se expressar sobre a questão.

“Quando Andrew veio com essa ideia e conversamos, estávamos no auge do escândalo das hipotecas, muita gente estava perdendo suas casas e foi um desastre”, lembrou em entrevista à Efe no último Festival de Cannes, onde o filme foi exibido em competição oficial.

O filme estreia no Brasil em outubro e traz no elenco do filme, além de Pitt, Ray Liotta, Richard Jenkins e James Gandolfini.

“Estava começando a acontecer e muitos americanos estavam revoltados por isso. Falo de mim, eu estava com muita raiva do assunto”, disse o ator ao ser perguntado sobre a origem de uma crise econômico-financeira cujas consequências ainda dramáticas e que servem como plano de fundo para a história.

“Agora dá ainda mais raiva quando olhamos para trás e vemos que a falta de regulação levou a essa epidemia de avareza”, explicou Pitt, que no entanto não quis entrar muito em detalhes sobre o que os líderes políticos fazem para sair da lama.

“Entendemos que está na natureza humana, mas se você olhar bem, eram realmente criminosos, isso afetou o povo e não houve consequências”, queixou-se.

O ator cita seu diretor para dar um exemplo que ilustra sua maneira de ver as coisas em relação a uma crise hipotecária que afundou muitos americanos.

“Andrew diz que se você rouba um banco, vai para a prisão, mas se o banco te rouba não recuperam você, recuperam o banco. E há algo de verdade nisso e é preocupante”, opina.

Por isso o filme de Dominik, conta Pitt, “é uma forma muito interessante de ver a crise, como observando pelo vidro traseiro do carro”.