Bon Iver e o som alternativo do folk

O segundo disco do projeto de Justin Vernon foi vencedor de dois prêmio Grammy

São Paulo – Ele ganhou dois Grammys neste ano, mas não dá a mínima para isso. Justin Vernon, 30, o homem por trás do pseudônimo Bon Iver, saiu da cerimônia agraciado com os prêmios de Melhor Artista Novo e Melhor Disco de Música Alternativa, sendo um deles entregue das mãos de ninguém menos que o eterno Tony Bennett.

Com o troféu na mão, Vernon afirmou ser difícil aceitar a honraria, lamentou a existência de tanto talento que não está no palco e agradeceu aos indicados e aos não indicados, que nunca estiveram aqui e aos que nunca estarão. O descaso com a premiação, acredite, em nada invalida o belíssimo disco Bon Iver, lançado em 2011 e pouco conhecido por aqui.

Pense em uma loja de discos e o segundo trabalho de estúdio do Bon Iver (a estreia veio com o álbum For Emma, Forever Ago, de 2007) provavelmente seria exposto na seção de música folk. A capa trazendo uma bucólica paisagem rural, violões pontuando boa parte das canções e ausência quase total de instrumentos percussivos justificariam tal escolha. Mas são elementos que simplificam demais as coisas.

Holocene, ilustrada por um ótimo clipe (que você confere abaixo), é um bom exemplo disso. Banjo, saxofones, pianos e sintetizadores (muitos sintetizadores, diga-se) também fazem cama para a voz de Vernon. De certa forma, todos os instrumentos parecem meros detalhes nas fusões sonoras propostas pelas 10 canções do álbum.

Perth, Calgary, Lisbon, OH são canções do álbum que receberam nomes de localidades distribuídas pelo planeta. Outras foram batizadas com lugares inexistentes (Hinnom, TX e Michicant). Reais ou imaginários não é difícil notar que Vernon vê um bocado de melancolia por todos os lados. Calmo, triste e até difícil para alguns. Mas vá em frente. Até o rapper Kanye West já se rendeu.