Aves de Rapina muda de nome após bilheteria fraca. Vai funcionar?

Para a semana de estreia, era estimado um lucro doméstico de 50 milhões de dólares. Neste ponto, filme decepcionou, mas segue forte em relação às críticas

São Paulo – O lucro da bilheteria da primeira semana de “Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa” decepcionou a Warner Bros. Protagonizado por Arlequina, interpretada pela atriz australiana Margot Robbie (que também produziu o filme), o longa era uma das principais apostas da DC Comics (de Batman e Super-Homem) para o ano devido à fama que a anti-heroína tem ganhado desde sua estreia nas telas.

Mas, até agora, ele não cumpriu o que prometia. Nos Estados Unidos, foram 33 milhões de dólares, enquanto o lucro mundial ficou em 79 milhões de dólares, segundo o site Box Office Mojo. Para a semana de estreia, era estimado um lucro doméstico de 50 milhões de dólares.

Fatores como a classificação indicativa do filme (proibido para menores de 17 anos nos EUA e para menores de 16 no Brasil) e personagens menos conhecidas pelo público (como as anti-heroínas Caçadora e a Canário Negro) podem ter ajudado na bilheteria fraca.

Pensando em uma forma de reverter o resultado baixo, a Warner alterou o nome do filme. Nos EUA, passou a se chamar “Harley Quinn: Birds of Prey”, dando ênfase no protagonismo de Arlequina. No Brasil, o movimento foi o mesmo, e o título agora é “Arlequina em Aves de Rapina”. Aqui, redes como o Cinemark já fizeram a alteração.

Apesar de o filme agora carregar o título de pior bilheteria da DC até o momento, a emancipação da Arlequina tem sido bem vista pela crítica, com 80% de aprovação no Rotten Tomatoes, site americano especializado em críticas de cinema.

O número, ao menos em relação às críticas, é melhor do que seu antecessor “Esquadrão Suicida” (2016), considerado um dos piores filmes do universo da DC Comics pelos críticos — o longa atingiu somente 27% no Rotten Tomatoes. Mas, apesar das opiniões negativas, “Esquadrão Suicida” arrecadou 133 milhões de dólares em sua semana de estreia. A classificação indicativa de 13 anos pode ter sido a mola propulsora para o valor alto, assim como a presença do Coringa, figura bem mais famosa, no filme.

O agora “Arlequina em Aves de Rapina” tem uma forte presença feminina no elenco e também é dirigido por uma mulher, a diretora americana Cathy Yan.

O lucro inicial baixo de “Aves de Rapina” também não significa um fracasso total, uma vez que foram gastos cerca de 80 milhões de dólares para produzir o filme — valor que ainda pode ser recuperado.

Outro ponto que pode acabar ajudando é a falta de concorrência direta, uma vez que o mercado dos heróis está menos aquecido neste início de ano. Falando nos personagens da DC, “Mulher-Maravilha 1984” será lançado somente em junho.

Já o calendário da Marvel está mais recheado neste início de ano, mas com títulos mais fracos do que nos anos anteriores. É o caso de “Os Novos Mutantes”, previsto para sair em abril, “Viúva Negra”, em maio, “Morbius”, em julho, “Venom 2”, em outubro e “Os Eternos”, em novembro. Destes, a maior promessa de lucro continua sendo “Viúva Negra”.

Com isso, a situação ainda pode mudar nas próximas semanas e a alteração do nome pode acabar funcionando. No Brasil, Arlequina ganhou tanta fama que se tornou até inspiração para coleção de roupas, como é o caso da Riachuelo.

Para a Arlequina, a DC e a Warner, resta a treinar a paciência. E torcer para que a nova estratégia funcione.