Aves de Rapina emancipa Arlequina e abre caminho para novos filmes

Novo longa da DC Comics com a Warner Bros. expande a história da Arlequina e aumenta a expectativa para mais filmes femininos no universo

São Paulo – De carona no sucesso de “Coringa”, vencedor do Oscar nas categorias melhor trilha sonora e melhor ator (Joaquin Phoenix), a DC Comics e a Warner Bros. criaram o novo “Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa” – renomeado para “Arlequina em Aves de Rapina” -, um filme que, de fato, descola a personagem interpretada por Margot Robbie do confuso filme “Esquadrão Suicida” (2017). Com nuances de insanidade e humor, em um clima muito menos sombrio do que no filme antecessor, Aves de Rapina mostra uma Arlequina emocional e forte. Vale um paralelo com o acerto da DC com “Mulher-Maravilha” (2016) neste ponto. A Arlequina é a anti-heroína mais bem desenvolvida dos filmes do gênero – que passam por uma fase de saturação de segmento.

A premissa do filme é – spoilers adiante – que Arlequina e Coringa não estão mais juntos, o que a motiva a buscar novas aventuras. Não confunda as coisas: a história de Aves de Rapina se passa em uma realidade paralela à do Coringa de Joaquin Phoenix. Nesse universo, o Coringa tem cabelo verde e nem chega a aparecer nesse filme – o que agrada aos críticos do personagem interpretado por Jared Leto.

Além da emancipação da palhaça do crime de Gotham, o longa também introduz as heroínas Caçadora (Mary Elizabeth Winstead) e Canário Negro (Jurnee Smollett-Bell) – personagens já relacionadas com o time das Aves de Rapina dos quadrinhos -, a detetive Renee Montoya (Rosie Perez) e a órfã Cassandra Cain (Ella Jay Basco); todas dando início em suas respectivas carreiras de heroínas (ou anti-heroínas). Na trama, as cinco têm pendências para resolver com Roman Sionis (Ewan McGregor), um dos chefes do crime da cidade, cujo codinome é Máscara Negra, e se unem com o propósito de destruí-lo.

Embora cada uma tenha seu momento de emancipação, o filme todo é centrado na perspectiva da Arlequina. Desde o tom das piadas, até o uso exagerado de glitter e cores vivas e a cronologia não-linear do primeiro ato, tudo parece ter sido retirado da mente de uma das psicopatas mais perigosas do universo do Batman. O filme arrisca em apresentar uma Gotham onde – quase – todos os homens são antagonistas das personagens principais, mas sem cair em clichês da representatividade feminina nas telas. Com personalidades fortes e contrastantes, as cinco apresentam uma perspectiva mais pé no chão e nada maniqueísta sobre como encarar seus problemas – algo que é raro nos filmes de super-heróis.

O filme acerta em realizar a introdução das personagens de uma forma mais fluída e rápida – diferente do que aconteceu no filme de estreia da Arlequina -, além de conter uma trilha sonora inteiramente feminina e conectada com as personagens. Embora a primeira parte do filme seja um pouco bagunçada – em partes por causa da confusão na mente da antiga parceira do Coringa -, da metade para o final vemos um filme bastante enérgico e com bastante interação entre as personagens – especialmente Arlequina e a jovem Cassandra.

Com um pé em “As Panteras” (2000) e outro em “Deadpool” (2016), a diretora Cathy Yan apresenta um filme com as cenas de ação mais criativas do universo, enquanto usa e abusa da feminilidade como centro de força das personagens. Apesar de ser uma obra completa por si só, o filme abre portas para uma possível série de filmes da equipe (o que não deu certo no Esquadrão Suicida), além de indicar que o futuro será mais feliz e independente para a Arlequina.

Para a personagem principal, podemos esperar uma continuação de sua história em “O Esquadrão Suicida”, que será lançado em 2021. O filme promete um novo início para o grupo, com direção de James Gunn (Guardiões da Galáxia) e nomes como Viola Davis, Idris Elba e Alice Braga. Além disso, a Warner também cogita um filme das Sereias de Gotham – Arlequina, Mulher-Gato e Hera Venenosa – em um futuro próximo, visto que Zöe Kravitz foi escalada para o papel da Mulher-Gato em “O Batman”, que chega em 2021 e tem Robert Pattinson no papel principal.

Já para as demais personagens da equipe, a expectativa é que seja lançada uma sequência para as Aves de Rapina – sem Arlequina – e com a introdução de Barbara Gordon – a Batgirl – para o time, enquanto usa a identidade de Oráculo. Visto que um filme sobre a heroína está em produção, ainda sem data de lançamento estimada, e Barbara é uma das participantes mais importantes da equipe, seria uma saída provável para a permanência das Aves no cinema.