Ativista manda milhares de balões com “A entrevista” para Coreia do Norte

A Coreia do Norte é acusada de estar por trás de um ataque contra a Sony, que produziu o filme

Um ativista sul-coreano afirmou nesta quarta (8) ter enviado milhares de cópias do filme A Entrevista para a Coreia do Norte por meio de balões, ignorando as ameaças da ditadura local.

A Coreia do Norte classificou a comédia produzida pela Sony Pictures, sobre uma tentativa de assassinato ficcional de Kim Jong-un, como um “ato de terror”.

O dissidente norte-coreano Lee Min-bok afirma que conseguiu mandar quatro balões para o outro lado da fronteira desde janeiro, sendo que o último deles foi enviado no sábado (4).

Em cada uma das “missões”, ele amarrou pacotes carregando cópias do filme, além de panfletos anti-Pyongyang aos balões de hélio, que eram lançados da caçamba de um caminhão.

“Lancei milhares de cópias e quase um milhão de panfletos no sábado, perto da fronteira ocidental”, afirmou Lee.

Todos os lançamentos eram feitos à noite sem nenhum aviso prévio, considerando o clima de tensão entre os dois países.

A Coreia do Norte condenou o lançamento dos balões e exigiu que as autoridades da Coreia do Norte ajam para impedí-los.

Em outubro, militares norte-coreanos que patrulham a fronteira tentaram atirar em alguns balões, começando uma troca de disparos entre os dois lados.

O governo de Pyongyang ameaçou qualquer pessoa que tente mandar cópias do filme A Entrevista em balões, afirmando que qualquer provocação irá gerar “ataques retaliatórios impiedosos”.

O país é acusado pelo FBI de estar por trás de um ciberataque contra a Sony Pictures, o estúdio de cinema que produziu o filme.

Apesar de pedir que os ativistas evitem provocar seu vizinho do norte, a Coreia do Sul afirma que esses atos estão protegidos pelo princípio da liberdade de expressão.

A polícia local já interveio para prevenir alguns lançamentos, mas apenas quando existe a possibilidade de um desses lançamentos colocar em risco a vida de sul-coreanos que vivam próximos à fronteira.

Os lançamentos feitos por Lee são feitos de noite, em lugares distantes, e apesar de serem monitorados pela polícia local, nenhum deles foi interrompido pela Coreia do Sul.

“A polícia não tem o direito de me impedir”, afirma Lee.

É impossível dizer quantos balões efetivamente chegam até a Coreia do Norte, já que eles dependem do vento para chegarem até o país.