Álbum “The Genius of Ray Charles” completa 60 anos

Os quinze anos da morte do músico, completados neste mês, coincidem com os 60 anos da gravação de um de seus álbuns mais festejados

São Paulo – Gravado há 60 anos, entre maio e junho de 1959, “The Genius of Ray Charles” pode não ser o melhor disco do cantor, pianista e compositor americano. Mas faz todo sentido que seja um dos mais festejados. Apontado pela revista “Rolling Stone” como um dos 500 melhores álbuns de todos os tempos, chegou às lojas em outubro daquele ano e ocupou a 17ª posição do ranking da Billboard.

Não constam do disco as músicas mais conhecidas de Ray Charles, como “Georgia on My Mind” e “Hit the Road Jack”. Mas nele há gravações antológicas, com arranjos de Quincy Jones, de composições deliciosas como “Let the Good Times Roll” e “It Had to Be You”.

Charles morreu há exatos quinze anos, em 10 de junho de 2004, de complicações relacionadas a uma doença do fígado. Tinha 73 anos. Marcada pela cegueira aos 7 anos de idade, pela decisão tomada aos 15, após a morte da mãe, de ganhar a vida tocando, o sucesso nos palcos, o sorriso aberto que não tirava do rosto e o vício em heroína, sua trajetória não teria como não seduzir Hollywood. Estrelado por Jamie Foxx, o filme “Ray” chegou aos cinemas quatro meses após a morte do cantor.

Felizmente o longa-metragem também evidencia, algo raro em obras do gênero, o principal legado de Charles. Além de injetar uma bem-vinda energia ao jazz, ao country e ao blues, foi ele quem melhor soube transportar a vibração e o fervor do gospel para a música popular. “The Genius of Ray Charles” comprova isso perfeitamente.