A Flip dos sonhos da VIP

O Brasil convive com o estigma de ser um país que não lê muito. Por isso, é um triunfo que a Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) tenha se firmado como grande evento fixo no calendário cultural desde sua criação em 2003. Em todo meio de ano, a reunião de autores brasileiros e convidados internacionais em mesas de debates e palestras atrai muitos “turistas das letras”, entre gatinhas, gente doida e normal, à histórica cidade de Paraty, no litoral carioca – conhecida também pela qualidade de sua cachaça… A sétima Flip será entre 1o e 5 de julho e terá como principais atrações Chico Buarque, o veterano jornalista e escritor americano Gay Talese (não se engane pelo nome: é uma abreviação de Gaetano que ele escolheu quando a palavra “gay” não tinha o sentido que tem hoje) e a sexagenária editora de arte moderna francesa Catherine Millet, notória por um livro autobiográfico em que expôs sem rodeios sua longa lista de amantes e orgias. A vinda de Catherine nos acendeu uma faísca: uma Flip com mais literatos como ela, tratando de assuntos que nos instigam (sexo, futebol, vida com atitude…), seria perfeita para um leitor da VIP que pode achar que só discussão cabeça tem vez por lá. Então imaginamos uma “Flip da VIP”, montando mesas com nossos convidados ideais para debater o que a gente curte – fizemos até uma mesa só com caras legais que já morreram! Em cada debate, o mediador (a gente) fez a mesma pergunta a todos os convidados imaginários. As respostas foram dadas com trechos de obras clássicas desses autores. Com uma escalação como essa, até quem nunca foi muito a fim de ir à Flip teria vontade de dar uma conferida.

O homenageado

MARQUÊS DE SADE

Toda Flip tem como homenageado um escritor do passado, sempre brasileiro. A nossa também, mas nosso personagem é um francês globalizado: o Marquês de Sade (1740-1814). Apesar de hoje ter seu nome vinculado a sadismo e sadomasoquismo (termos que ele inspirou com seus escritos ligando sexo e dor), Sade foi além do clichê. Libertino e libertário, atacou moralismos e repressões sexuais, sociais e políticas – mesmo que, para defender suas ideias, criasse cenas chocantes só para provocar (o que lhe rendeu muitos anos na cadeia). Por seu desprendimento em busca de discussão aberta, está em sintonia com a Flip que idealizamos.

Acaba de ser relançada uma obra
básica de Sade: Os Infortúnios da Virtude (Iluminuras, 2009, R$ 38),
com a personagem Justine.

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