A Flip dos sonhos da VIP

Mesa branca COM PRESENÇA DE ESPÍRITO
Como numa mesa branca mediúnica, a Flip da VIP reúne escritores mortos que gozaram a vida até em situações difíceis. Nossos quatro espíritos livres são americanos. Dois driblaram a pobreza: John Fante falaria de como chegou numa garota mexicana num tempo em que só tinha laranjas para jantar em seu quartinho de pensão, e seu discípulo Charles Bukowski dispararia sua quilométrica lista de bebedeiras e transas. Outros dois viajaram em mais de um sentido: Jack Kerouac contaria sua busca da essência da vida pegando caronas, e Hunter S. Thompson discutiria tudo em que se meteu no limite da adrenalina.
Charles Bukowski
“De repente, me deu vontade de be ber mais. Entrei na cama, debaixo das cobertas. Me virei pra Debra. Abracei ela. Nos apertamos. Ela estava de boca aberta. Beijei-a. Ela estava no ponto. Não ia precisar de preliminares. Finalmente, eu dava certo. Eu estava tre pando com todas as mulheres e ga rotas que eu contemplava longamente nas calçadas. Tive de esperar um bom tem po pela minha vez. Batalhei, gramei. Eu estava no meio de uma foda vermelha, tesuda e vã!”
Jack Kerouac
“Todos os meus amigos novaiorquinos estavam numa fase ruim, envoltos nesse pesadelo sem nexo que é com bater o sistema o tempo inteiro citando suas enfadonhas razões literárias, psicanalíticas ou políticas. Eu era um jovem escritor e tudo que eu queria era cair fora. Em algum lugar ao longo da estrada eu sabia que ha veria garotas, visões e muito mais; na estrada, em algum lugar, a pérola me seria ofertada.”
Hunter S. Thompson
“De vez em quando você se encontra num desses dias em que tudo é em vão… Se você sabe o que é bom fazer nesses dias, você se encosta num canto seguro e observa. Talvez pen se um pouco. Recosta-se numa espreguiçadeira, bem longe do tráfego, e abre inteligentemente umas cinco ou oito latas de cerveja… fuma um maço de Marlboro King Size, come um sanduíche de manteiga de amen doim, e finalmente no final da tarde, engole um comprimido de mescalina… E depois dirige até a praia.”
John Fante
“Ah, uma garota mexicana! Costumava pensar nela o tempo todo, minha garota mexicana. Eu não tinha uma, mas as ruas estavam cheias delas, e a meu modo elas eram minhas, essa aí e aquela lá, e algum dia quando outro cheque viesse tudo isso ia acontecer de fato. Aquelas garotas lindas, tão felizes quando você dava uma de cavalheiro e essas coisas todas, era só encostar nelas e car regar a lembrança para dentro do meu quar to, onde a poeira crescia em cima da minha máquina de escrever.”
Charles Bukowski (1920-1994) ficou célebre como maldito através de contos, poemas e romances que sempre giravam em torno de mulheres, bebida, pobreza e apostas em cavalos. Os contos de Crônica de um Amor Louco (L&PM, 2007, R$ 18,50) são uma boa introdução. Jack Kerouac (1922-1969) foi o sím bolo da geração beat que contestou o mundo certinho em busca de graça na vida. On the Road – Pé na Estrada (L&PM, 2004, R$ 19,50) virou um clássico assim que saiu nos Estados Unidos em 1957. A versão integral do manuscrito saiu recentemente (L&PM, 2008, R$ 59). Hunter S. Thompson (1937-2005) criou o jornalismo gonzo, misturando fatos reais e pirações literárias. Seu clássico, escrito em 1971, é Medo e Delírio em Las Vegas (Conrad, 2007, R$ 36), uma viagem à capital mundial dos cassinos. John Fante (1909-1983) foi um escritor pobre que depois se sustentou como roteirista em Hollywood. Seu clássico, publicado em 1939, é Pergunte ao Pó (José Olympio, 2003, R$ 31), que só ganhou reconhecimento nos anos 70.

INÍCIO

MULHERES BRILHANTES E TARADAS   –   OS LOUCOS VIVOS   –  FUTEBOL-ARTE   –  OS LOUCOS MORTOS