6 razões para presentear as crianças com mais natureza

É um gesto que não custa nada, mas cujo efeito vale ouro e dura para a vida toda. Confira os benefícios físicos, psíquicos e emocionais da imersão no verde

São Paulo – Nada de brinquedo pronto ou eletrônicos viciantes. Neste Dia das Crianças, que tal fazer diferente e brindar os pequenos com “mais natureza”? Acredite, é um gesto que não custa nada, mas cujo efeito vale ouro e dura para o resto da vida.

Em um mundo cada vez mais urbanizado e “virtual”, com smartphones, tablets, shoppings e mil e uma atividades extracurriculares competindo pelo tempo das crianças, menos oportunidades elas têm de se conectar com o meio ambiente e tirar proveito dessa grande escola que é o mundo natural. Mas isso pode mudar.

“A atual geração de pais e educadores é a última geração que conheceu o mundo sem a influência do forte avanço tecnológico. Somos os grandes responsáveis pelo estabelecimento e incentivo do elo emocional da geração de nativos digitais com o mundo natural”, diz ao site EXAME Ana Lúcia Machado, coordenadora do projeto “Playoutside – alegria de brincar na natureza”, que promove atividades para reconectar as crianças com o verde.

Ana defende que educação ambiental só será efetiva por meio desse contato, e não entre quatro paredes numa sala de aula. “Isso é muita abstração para uma criança”, diz ela. E não faltam razões para fazer diferente. Nos últimos anos, uma série de pesquisas vêm demonstrando os benefícios físicos, psíquicos e emocionais que a imersão no meio ambiente natural proporciona às crianças.

Menina brincando na natureza; criança na floresta; plantas

(sodapix/Thinkstock)

“Brincar ao ar livre proporciona maior gasto de energia, o que contribui para a qualidade do sono, tão importante para a fase de crescimento, além de prevenir a obesidade, que vem aumentando a cada dia na população infantil”, destaca Ana.  O oposto segundo ela — a carência de natureza — empobrece o repertório da infância e reduz estímulos sensoriais, o que mais tarde poderá influenciar a capacidade de aprendizagem, a criatividade e auto regulação do indivíduo.

“Brincar em contato com a natureza permite maior movimentação corporal auxiliando na estruturação do sistema muscular, na aquisição do equilíbrio e destreza corporal”, pontua. Quem brincava no mato durante a infância lembra bem de como era gratificante subir numa árvore, tomar banho num riacho com os peixes passando debaixo dos pés ou simplesmente rolar na grama, e como cada atividade demanda um tipo diferente de esforço mental e físico. Nada disso é apenas lazer, mas também aprendizado.

Alguns benefícios do contato com o verde podem poupar os pequenos de problemas futuros. Ana ressalta que brincar ao ar livre previne a deficiência de Vitamina D, pela exposição aos raios solares e também a miopia, “pois em espaços amplos, abertos e com iluminação natural, a criança exercita os músculos oculares ao focar em objetos grandes e ao longe, permite que os olhos sigam a linha vertical, horizontal e de profundidade, prevenindo o encurtamento dos músculos dos olhos”.

Ainda não está convencido? Veja outras razões para levas as crianças para um passeio na floresta.

Elas aprendem a gerenciar riscos

Numa floresta, as possibilidade de se divertir são tão vastas quanto o risco de se machucar.  Subir em árvores, atravessar córregos pulando de pedra em pedra, explorar troncos caídos, escalar barrancos, tudo isso envolve algum risco e faz com que as crianças desenvolvam resiliência e a autossuficiência, ambos traços que podem ajudá-las a superar desafios na vida.

Crianças brincando na floresta

(Jupiterimages//6 razões para presentear as crianças com mais natureza/Thinkstock)

Defensoras do Planeta

Quanto mais uma criança passa tempo em meio ao verde, maior a chance dela se tornar um adulto que aprecia e protege o meio ambiente. Um estudo da Universidade de British Columbia com jovens adultos descobriu que 87 por cento dos entrevistados que brincavam ao ar livre em contato com a natureza quando pequenos ainda mantinham o amor pela natureza na idade adulta. Além disso, 84 por cento desses jovens adultos disseram que cuidar do meio ambiente é uma prioridade para eles.

Efeito calmante

Da mesma forma que o alimento e a água restauram os corpos, a natureza restaura o funcionamento mental. Viver numa cidade grande significa ser bombardeado por uma profusão de estímulos que buscam roubar a atenção o tempo todo, o que pode desencadear quadros de ansiedade.

A natureza tem um efeito calmante e restaurador que torna mais fácil para as crianças se concentrarem. Observar as folhas que correm no riacho ou a fila de formigas carregando alimento para o formigueiro são atividades que exigem atenção dirigida dos pequenos.

Criança brincando na lama. Mão suja de lama

(ChristinLola/Thinkstock)

Xô alergia! 

Pesquisas também indicam que a falta de contato com a natureza torna as crianças mais susceptíveis a desenvolver asmas e alergias. Espaços verdes possuem uma série de bactérias e microorganismos que ajudam a fortalecer o sistema imunológico dos seres humanos.

Crianças e adultos que moram em regiões muito urbanizadas, carentes de um meio ambiente com vitalidade, teriam predisposição maior a desenvolver doenças inflamatórias crônicas e autoimunes, ao passo que os moradores rurais estariam mais protegidos. Pesquisadores estudam a hipótese de que as tais bactérias possam ser responsáveis por fortalecer o sistema imunológico dos moradores de áreas rurais.

Melhor desempenho escolar

Estudos nos EUA mostram que as escolas que usam salas de aula ao ar livre e outras formas de educação experiencial baseadas na natureza promovem ganhos significativos no desempenho dos alunos nas mais variadas disciplinas, dos estudos sociais às artes e matemática.

Criança brigando no mato com lupa.

(Wavebreakmedia/Thinkstock)

Menos agressividade

Mais do que embelezar a paisagem urbana e filtrar poluentes nocivos à saúde, as áreas verdes podem ser poderosas aliadas no combate à agressividade de adolescentes. Mesmo exposições de curto prazo a áreas verdes (de um a seis meses, por exemplo) em um raio de um quilômetro da residência já eram suficientes para influenciar positivamente o comportamento, apontou uma pesquisa publicada na revista científica da Academia Americana de Psiquiatria da Infância e Adolescência.

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