5 dicas de viagem dos escritores Ruy Castro e Heloísa Seixas

O casal lançou recentemente o livro “Terramarear”, em que conta suas vivências e impressões em viagens pelo mundo afora

São Paulo – Para aproveitar bem uma viagem, não basta saber exatamente o que colocar na mala. O jornalista e escritor Ruy Castro e sua esposa, a também escritora Heloísa Seixas, conhecem bem esta arte. Com mais de 10 países registrados em seus passaportes, eles lançaram juntos o “Terramarear – Peripécias de Dois Turistas Culturais” (Companhia das Letras), livro que reúne textos inéditos e já publicados sobre suas viagens pelo mundo.

A obra não pode ser encarada como um guia, já que retrata as experiências pessoais dos autores, mas, ao trazer muita informação cultural, geográfica e política sobre os centros urbanos por onde passaram, os leitores podem se inspirar e buscar os mesmos locais para terem suas próprias histórias para contar. E para aproveitar ao máximo esses e outros roteiros turísticos, o casal dá algumas dicas. Confira.

Não fique só um dia em cada cidade

A visita relâmpago é o mal de quem tem pouco tempo e quer conhecer toda a Europa, por exemplo. Diante desse dilema, Ruy Castro e Heloísa Seixas não hesitam: melhor passar mais dias em uma única cidade e conhecer menos lugares. “O tempo mínimo para conhecer um lugar de verdade é a vida inteira”, brinca Ruy Castro. Por isso, quanto mais tempo se passar em um lugar, mais saberá como é a vida lá e conhecerá suas preciosidades.

Conheça o lugar para onde vai

Toda vez que viajam, Castro e Heloísa têm um ritual. Antes de embarcar, pesquisam filmes, músicas, leem sobre a história, gastronomia, lugares importantes e os fatos marcantes do local para onde vão. É isso que dá o tom ao passeio que farão depois, sem precisar passar apenas pelos batidos cartões postais.

“É importante aprender um pouco sobre os lugares para onde vai para não ficar no superficial”, diz Heloísa Seixas. Com todo esse estudo, eles conheceram o ateliê onde o cineasta Stanley Kubrick comprou as máscaras do filme “De Olhos Bem Fechados”, em Veneza, e se hospedaram no hotel onde viveu o poeta Ezra Pound, em Rapallo, na Itália.


Inclua Portugal no roteiro

Apesar das piadas não serem muito favoráveis aos nossos colonizadores, Ruy Castro considera Portugal um lugar indispensável para se conhecer. “Os portugueses são responsáveis por um terço de nossas origens. Nós fazemos piada, mas quando você vai lá e passa algum tempo, observando com os olhos abertos, não tem como não ficar maravilhado”, afirma.

O escritor e jornalista morou no país durante a década de 70, quando editava a revista Seleções, e cita três motivos para incluir Portugal no roteiro de viagens: a comida, a habilidade de trabalhar com as mãos, dando origem a peças raras de artesanato, e a língua portuguesa original.

Além de Portugal, ele considera Viena, capital da Áustria, um roteiro obrigatório e é para lá que ele e Heloísa devem ir no final do ano, quando também conhecerão Praga, capital da república Checa, e Budapeste, capital da Hungria. Entre as cidades indispensáveis para Heloísa estão a clássica Paris e o Rio de Janeiro, onde o casal mora.

Ande a pé, não de metrô e procure os lugares boêmios

Usar o metrô é uma das melhores maneiras de não conhecer uma cidade, na opinião de Ruy Castro. “Evite andar debaixo da terra. Se levar três horas para chegar, mesmo assim vá a pé. Assim você pode parar em um café ao ar livre no meio do caminho”, afirma. Outro ponto importante para conhecer de verdade um lugar é correr dos lugares que, em geral, são iguais aos da sua cidade, como shoppings ou bairros muito recentes.

“Tente achar o bairro frequentado pelos escritores, lugares mais boêmios, que podem até ser mais esculhambados, mas são mais ricos em cultura”. Conforto é bom, mas Castro também é favorável a hospedagens em hotéis menores, mais tradicionais, e, melhor ainda se forem perto do centro da cidade.

Conheça sua própria cidade

O exercício de conhecer o mundo deve começar pela cidade onde cada um vive. “Muitas vezes eu e a Heloísa resolvemos passar o sábado em lugares diferentes, andamos a pé, vemos a fachada dos prédios”, diz. Tudo isso faz parte do exercício de estimular a curiosidade para explorar novos ambientes e culturas, inclusive as que estão bem ao lado.